UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Motociclista de 25 anos sofreu colisão em alta velocidade contra um automóvel. Estava de capacete fechado (com proteção frontal) e foi arremessado a 10 metros. Deu entrada com capacete e sem colar cervical. Exame físico: arresponsivo mesmo ao estímulo vigoroso, respiração ruidosa, com incursões respiratórias rápidas e superficiais e uso de musculatura acessória. FC: 134 bpm, PA: 80 x 40 mmHg, SatO₂: 72% (ar ambiente).De acordo com o protocolo ATLS a conduta deve ser:
Em trauma com capacete e via aérea comprometida, a retirada do capacete é prioritária para manejo da via aérea, com imobilização cervical por 2 socorristas.
A prioridade no trauma é a manutenção da via aérea. Em pacientes com capacete e sinais de obstrução ou comprometimento respiratório (respiração ruidosa, uso de musculatura acessória, SatO₂ baixa), a retirada do capacete é essencial para acessar a via aérea, devendo ser realizada por dois socorristas para garantir a imobilização da coluna cervical.
O atendimento ao traumatizado grave, conforme preconizado pelo Advanced Trauma Life Support (ATLS), baseia-se em uma abordagem sistemática e priorizada para identificar e tratar lesões que ameaçam a vida. A avaliação primária (ABCDE) é crucial, com a via aérea (A) sendo a primeira e mais importante etapa. A epidemiologia dos traumas, especialmente os motociclísticos, revela alta morbidade e mortalidade, frequentemente associadas a falhas no manejo inicial da via aérea. Neste caso, o paciente apresenta sinais claros de comprometimento da via aérea (arresponsivo, respiração ruidosa, uso de musculatura acessória, SatO₂ baixa) e está com capacete. A fisiopatologia da obstrução da via aérea em trauma pode envolver a queda da língua, aspiração de sangue ou vômito, ou lesões diretas. O capacete, embora protetor, pode dificultar o acesso e a avaliação da via aérea, além de impedir uma imobilização cervical adequada. A conduta correta, portanto, é a retirada do capacete. Este procedimento deve ser realizado por dois socorristas: um mantém a estabilização manual da coluna cervical, enquanto o outro remove o capacete com cuidado, minimizando qualquer movimento do pescoço. Após a retirada, a via aérea pode ser inspecionada, aspirada e protegida, se necessário, com manobras como a elevação do mento/tração da mandíbula ou intubação orotraqueal. O prognóstico do paciente traumatizado depende criticamente da rapidez e eficácia do manejo da via aérea, prevenindo a hipóxia e suas consequências neurológicas.
A prioridade no atendimento inicial ao traumatizado segue o mnemônico ABCDE: A (Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Respiração e Ventilação), C (Circulação com controle de hemorragias), D (Déficit Neurológico) e E (Exposição e Controle do Ambiente).
O capacete deve ser retirado quando impede o acesso à via aérea, dificulta a avaliação neurológica ou a imobilização cervical. A retirada deve ser feita por dois socorristas, um estabilizando a coluna cervical e outro removendo o capacete, minimizando a movimentação do pescoço.
Não remover o capacete pode impedir o manejo adequado da via aérea, levar à hipóxia, dificultar a avaliação de lesões cranianas e a imobilização cervical eficaz, aumentando o risco de morbidade e mortalidade.
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