Manejo da Via Aérea em Queimados: Lesão Inalatória

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 35 anos de idade, é trazido ao pronto socorro após ter sido resgatado de um incêndio em casa. Chega consciente, agitado, com queimaduras de segundo grau em face, pescoço e parte anterior do tórax. Apresenta rouquidão, tosse com expectoração carbonácea e estridor leve. Saturação periférica de oxigênio em 94% em ar ambiente. O exame revela presença de fuligem na cavidade oral e vibrissas queimadas. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta qual conduta CORRETA a ser tomada em relação à via aérea.

Alternativas

  1. A) Indicar intubação orotraqueal imediata devido à suspeita de lesão inalatória.
  2. B) Administrar nebulização com broncodilatadores e reavaliar após 30 minutos.
  3. C) Iniciar oxigenoterapia em máscara de oxigênio e observar evolução respiratória nas próximas horas.
  4. D) Realizar broncoscopia para avaliar a extensão de eventual lesão inalatória antes de decidir sobre a necessidade de intubação.

Pérola Clínica

Lesão inalatória suspeita (rouquidão, estridor, fuligem, queimadura face/pescoço) → Intubação orotraqueal precoce = Prevenir obstrução via aérea.

Resumo-Chave

A suspeita de lesão inalatória em pacientes queimados, evidenciada por rouquidão, estridor, tosse carbonácea, fuligem na cavidade oral ou queimaduras em face/pescoço, exige intubação orotraqueal precoce. Isso previne a obstrução da via aérea por edema progressivo, que pode tornar a intubação impossível posteriormente.

Contexto Educacional

A lesão inalatória é uma complicação grave em vítimas de incêndio e um fator prognóstico crucial em pacientes queimados. A avaliação da via aérea deve ser prioridade no atendimento inicial, mesmo antes da avaliação da extensão das queimaduras cutâneas. Sinais como rouquidão, estridor, tosse carbonácea, presença de fuligem na orofaringe, queimaduras em face e pescoço, e vibrissas nasais queimadas são indicativos de alta suspeita de lesão inalatória. A conduta mais segura e correta nesses casos é a intubação orotraqueal precoce e profilática. O edema da via aérea superior pode progredir rapidamente nas primeiras horas após a exposição à fumaça e calor, tornando a intubação extremamente difícil ou impossível se houver atraso. A broncoscopia pode ser útil para avaliar a extensão da lesão, mas não deve atrasar a intubação se houver sinais claros de comprometimento iminente da via aérea. A saturação periférica de oxigênio pode ser enganosamente normal no início, pois a lesão inalatória afeta primariamente a patência da via aérea e não necessariamente a oxigenação alveolar nas fases iniciais. Portanto, a decisão de intubar deve ser baseada nos sinais clínicos de risco de obstrução, e não apenas na oximetria.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para lesão inalatória em queimados?

Rouquidão, estridor, tosse com expectoração carbonácea, queimaduras em face/pescoço, fuligem na cavidade oral e vibrissas nasais queimadas.

Por que a intubação orotraqueal precoce é crucial na lesão inalatória?

Para prevenir a obstrução completa da via aérea devido ao edema progressivo da mucosa, que pode tornar a intubação impossível se postergada.

A saturação de oxigênio normal exclui lesão inalatória grave?

Não, a saturação periférica de oxigênio pode estar normal inicialmente, mesmo na presença de lesão inalatória grave, pois o problema é a obstrução mecânica e não a troca gasosa inicial.

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