SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Uma jovem de 24 anos é admitida na sala de trauma após queda de motocicleta em alta velocidade. Está sonolenta, desorientada em tempo e espaço e apresenta hálito etílico. Responde com poucas palavras aos questionamentos da equipe assistente. Apresenta escoriações em face e epistaxe bilateral ativa. Ao exame, observam-se esforço respiratório leve e dificuldade para falar. A equipe pré-hospitalar aplicou o colar cervical rígido ainda na cena do trauma, mantendo-o durante todo o transporte e realizou a remoção do capacete (que estava rachado) a quatro mãos. Atualmente, a saturação de oxigênio se encontra em 87%. Considerando a abordagem inicial da via aérea dessa paciente, assinale a alternativa correta:
Suspeita de lesão cervical + Obstrução → Jaw-thrust (tração da mandíbula) para proteger a medula.
No trauma, a abertura das vias aéreas em pacientes com suspeita de lesão cervical deve ser feita via Jaw-thrust, evitando a hiperextensão do pescoço.
O manejo da via aérea (A do ABCDE) é a primeira prioridade no trauma. Em pacientes com trauma multissistêmico, especialmente acima da clavícula ou com alteração de consciência, a lesão da coluna cervical deve ser presumida. A manobra de Jaw-thrust é a técnica padrão-ouro para desobstrução manual sem mobilização cervical. A hipóxia (SpO2 87%) e a sonolência da paciente podem ser decorrentes de trauma cranioencefálico, intoxicação alcoólica ou da própria obstrução mecânica das vias aéreas por queda da base da língua ou sangue (epistaxe). A intervenção deve ser rápida, mantendo a proteção medular rigorosa durante todo o processo de estabilização.
O Jaw-thrust (tração da mandíbula) permite a abertura da via aérea superior ao deslocar a mandíbula e a língua para frente sem a necessidade de estender o pescoço. No trauma de alta energia, qualquer movimento da coluna cervical pode converter uma fratura estável em uma lesão medular catastrófica.
A prioridade é garantir a patência da via aérea e oxigenação. A paciente apresenta sinais de obstrução e esforço respiratório. Deve-se realizar a manobra de Jaw-thrust e ofertar oxigênio de alto fluxo com máscara e reservatório. Se a hipóxia persistir ou o nível de consciência impedir a proteção da via aérea, a intubação orotraqueal com estabilização manual em linha será necessária.
Não se deve remover o colar cervical baseado apenas na dificuldade ventilatória inicial. A remoção só é permitida após a exclusão de lesão cervical por critérios clínicos (como o NEXUS ou Canadian C-Spine Rule em pacientes conscientes) ou exames de imagem. No manejo da via aérea, o colar pode ser aberto frontalmente enquanto um assistente mantém a estabilização manual da cabeça.
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