Drenagem Urinária no Trauma: Escolha da Conduta Ideal

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Homem, 24 anos de idade, é admitido no PS por acidente automobilístico. Exame físico: via aérea pérvia, pneumotórax esquerdo com fratura linear da 3°, 4° e 5° costelas, estável hemodinamicamente, sinais de trauma raquimedular em L3-L4, múltiplas fraturas em membros superiores e inferiores. Exames de imagem: ausência de outras lesões no abdômen e na pelve. Com relação à drenagem da via urinária, qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Sondagem vesical de demora.
  2. B) Cistostomia supra-púbica.
  3. C) Cateterismo intermitente.
  4. D) Nefrostomia bilateral guiada por radiointervenção.

Pérola Clínica

Politraumatizado com trauma raquimedular agudo → Sondagem vesical de demora é a conduta inicial para controle do débito urinário e prevenção de retenção.

Resumo-Chave

No paciente politraumatizado agudo, especialmente com lesão raquimedular, a sondagem vesical de demora é crucial para monitorização hemodinâmica (débito urinário) e para evitar a retenção urinária aguda causada pela bexiga neurogênica. O cateterismo intermitente é uma estratégia para manejo crônico.

Contexto Educacional

O manejo da via urinária em pacientes politraumatizados é um componente essencial do atendimento inicial, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A drenagem vesical cumpre duas funções primordiais neste cenário: a monitorização do débito urinário, que é um indicador vital da perfusão tecidual e da resposta à ressuscitação volêmica, e a prevenção da retenção urinária aguda e suas complicações, como a lesão renal pós-renal e o desconforto do paciente. Em um paciente com múltiplas lesões, incluindo trauma raquimedular (TRM), a bexiga neurogênica é uma consequência imediata. Na fase de choque medular, ocorre uma atonia do músculo detrusor, resultando em retenção urinária. Neste contexto agudo, a sondagem vesical de demora é o procedimento de escolha. Ela permite o esvaziamento contínuo da bexiga e a medição horária e precisa do débito urinário, fundamental para o manejo hemodinâmico. Outras opções, como o cateterismo intermitente, são o padrão-ouro para o manejo crônico da bexiga neurogênica, mas são impraticáveis e inadequados na fase aguda de instabilidade e monitorização intensiva. A cistostomia supra-púbica é uma alternativa mais invasiva, reservada para situações específicas como lesão uretral, que deve ser suspeitada em casos de fratura de pelve, sangue no meato uretral ou hematoma perineal. Portanto, para o caso apresentado, a sondagem vesical de demora é a conduta mais adequada e segura.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de trauma raquimedular em um paciente politraumatizado?

Sinais incluem déficits motores ou sensitivos abaixo de um nível específico, priapismo, perda do tônus do esfíncter anal (avaliado pelo toque retal), e choque neurogênico, que se manifesta como hipotensão com bradicardia paradoxal.

Quando a cistostomia supra-púbica é indicada no trauma?

A cistostomia é um procedimento mais invasivo, geralmente reservado para casos de lesão uretral confirmada ou suspeita (sangue no meato, fratura pélvica, hematoma perineal) ou quando há impossibilidade de passagem da sonda vesical.

Quais as principais complicações da sondagem vesical de demora prolongada?

As complicações mais comuns são a infecção do trato urinário associada a cateter (ITU-AC), trauma uretral, formação de cálculos vesicais, estenose de uretra e fístulas. Por isso, a sonda deve ser removida assim que clinicamente seguro.

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