UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Mulher de 61 anos, hipertensa há 10 anos, comparece à consulta agendada na sua equipe de saúde da família para continuidade do cuidado, sem queixas específicas no momento. A última prescrição feita é de hidroclorotiazida 25mg pela manhã e enalapril 10mg duas vezes ao dia. A paciente é sedentária, não fuma e não faz uso de bebidas alcoólicas de forma regular. Informa que não fez uso do diurético no dia da consulta pela manhã com medo de ter urgência miccional no caminho para a clínica. Ao exame físico, verifica-se IMC = 30, PA = 180x100mmHg, FC = 76bpm e FR = 16irpm. Os exames laboratoriais revelam glicemia = 98mg/dL, colesterol total = 172mg/dL, HDL = 4 mg/dL, LDL = 109mg/dL, triglicérides = 107mg/dL e creatinina = 0,67mg/dL. A melhor conduta a ser seguida, nesse caso, é:
Urgência hipertensiva sem sintomas + má adesão → Abordagem centrada na pessoa, checar adesão, MRPA e ajuste gradual da medicação.
Em casos de urgência hipertensiva assintomática, especialmente quando há suspeita de má adesão medicamentosa (como o esquecimento do diurético por medo de urgência miccional), a abordagem inicial deve focar na investigação das causas da não adesão e na educação do paciente, além de otimizar o esquema terapêutico e monitorar a pressão arterial de forma mais próxima.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica que exige manejo contínuo e adesão rigorosa à terapia. A elevação da pressão arterial para níveis de urgência hipertensiva (PA ≥ 180/110 mmHg) sem lesão de órgão-alvo aguda é uma situação comum na atenção primária. Nesses casos, a abordagem não deve ser de redução abrupta da PA, mas sim gradual, focando na identificação e correção dos fatores que contribuem para o descontrole. A fisiopatologia do descontrole pressórico pode envolver múltiplos fatores, incluindo a progressão da doença, mas a má adesão medicamentosa é uma causa frequente e muitas vezes subestimada. O diagnóstico da má adesão requer uma escuta ativa e empática do paciente, utilizando o Método Clínico Centrado na Pessoa. A paciente em questão, por exemplo, revelou um medo específico que a levou a não tomar o diurético, o que é um ponto crucial a ser abordado. A conduta ideal envolve a reavaliação do plano terapêutico, a educação do paciente sobre a importância da medicação e o manejo de efeitos adversos (como a urgência miccional), e a otimização do esquema medicamentoso, se necessário. A Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) é uma ferramenta valiosa para avaliar o controle pressórico no ambiente domiciliar e engajar o paciente no autocuidado. O retorno em curto prazo permite um ajuste fino da terapia e reforça a adesão.
A urgência hipertensiva é caracterizada por elevação grave da pressão arterial (PA > 180/120 mmHg) sem lesão de órgão-alvo aguda. A emergência hipertensiva, por sua vez, apresenta elevação semelhante da PA, mas com evidência de lesão de órgão-alvo aguda e requer redução imediata da PA.
O Método Clínico Centrado na Pessoa é crucial para entender as preocupações, expectativas e barreiras do paciente ao tratamento, como o medo de urgência miccional. Isso permite personalizar a abordagem, melhorar a adesão e, consequentemente, o controle da pressão arterial.
A MRPA é indicada para confirmar o diagnóstico de hipertensão, avaliar a eficácia do tratamento, identificar hipertensão do avental branco ou mascarada, e monitorar a adesão. É particularmente útil em casos de controle pressórico difícil ou suspeita de má adesão.
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