São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025
Um paciente diabético apresenta uma úlcera plantar crônica que não respondeu às terapias convencionais. Qual abordagem é mais indicada para promover a cicatrização nesse contexto?
Úlcera diabética crônica: Debridamento + Curativo avançado + Controle glicêmico rigoroso = Melhor cicatrização.
A abordagem multifacetada é crucial para úlceras diabéticas. O debridamento remove tecido necrótico, os curativos avançados otimizam o ambiente da ferida e o controle glicêmico é fundamental para a fisiologia da cicatrização, reduzindo inflamação e melhorando a função celular.
A úlcera plantar diabética é uma complicação grave e comum do diabetes mellitus, representando uma das principais causas de amputações não traumáticas. Sua patogênese é multifatorial, envolvendo neuropatia (sensorial, motora e autonômica), doença arterial periférica e infecção. A prevalência é alta, e o manejo inadequado pode levar a desfechos devastadores, tornando o conhecimento sobre sua abordagem essencial para residentes. O diagnóstico e a avaliação de uma úlcera diabética requerem uma análise detalhada da etiologia, profundidade, presença de infecção e estado vascular do paciente. A suspeita de infecção deve ser alta em qualquer úlcera que não cicatriza. A fisiopatologia da cicatrização em diabéticos é comprometida pela hiperglicemia crônica, que afeta a função celular e a resposta imune, além da isquemia e da pressão contínua sobre a área afetada. O tratamento eficaz de uma úlcera plantar diabética é uma abordagem multimodal que inclui debridamento regular para remover tecido necrótico e biofilme, uso de curativos avançados para otimizar o ambiente da ferida, controle rigoroso da glicemia para melhorar a fisiologia da cicatrização, alívio da pressão (offloading) sobre a úlcera e, se presente, tratamento agressivo da infecção. A terapia por pressão negativa (VAC) e enxertos de pele podem ser considerados em casos selecionados, mas não substituem os pilares do tratamento. O objetivo é promover a granulação, epitelização e fechamento da ferida, prevenindo infecções e amputações.
O debridamento é fundamental para remover tecido necrótico, biofilme e corpos estranhos da úlcera. Isso reduz a carga bacteriana, estimula a formação de tecido de granulação saudável e permite que os curativos atuem de forma mais eficaz, acelerando o processo de cicatrização.
O controle rigoroso da glicemia é crucial porque a hiperglicemia crônica prejudica todas as fases da cicatrização. Ela compromete a função dos fibroblastos, macrófagos e neutrófilos, aumenta o risco de infecção, prejudica a angiogênese e a produção de colágeno, resultando em cicatrização lenta e ineficaz.
Curativos de alta tecnologia incluem hidrogéis, hidrocoloides, alginatos, espumas e curativos com prata ou mel. Eles são selecionados com base nas características da ferida (exsudato, presença de infecção, profundidade) para criar um ambiente úmido ideal, controlar o exsudato, prevenir infecções e promover a granulação.
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