TCE Grave: Manejo Inicial e Intubação Endotraqueal

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 70 anos chega ao Pronto Socorro Municipal após queda de uma escada. O mesmo encontra-se deitado em maca e com colar cervical. Ao exame físico: PA= 170/80 mmHg, FR= 10 mpm, pulso 68 bpm e com pontuação na Escala de Glasgow de 6. Apresenta hematoma no couro cabeludo, pupila esquerda dilatada e sem reação à luz. Também apresenta lesão cortante em membro superior direito. Assinale a sequência adequada para o tratamento correto.

Alternativas

  1. A) Manter máscara facial de O₂ 5 L/min, hidratação endovenosa, solicitar tomografia computadorizada da cabeça e solicitar avaliação do neurocirurgião.
  2. B) Realizar intubação endotraqueal, hidratação endovenosa, solicitar tomografia computadorizada da cabeça e avaliação do neurocirurgião.
  3. C) Manter máscara facial de O₂ 10 L/min, hidratação endovenosa e encaminhar imediatamente para a realização de craniectomia para descompressão.
  4. D) Realizar intubação endotraqueal, hidratação endovenosa e suturar lesão cortante em membro superior direito.

Pérola Clínica

Glasgow ≤ 8 no TCE → Intubação imediata para proteção de via aérea e ventilação.

Resumo-Chave

Um paciente com Escala de Glasgow de 6 indica Traumatismo Cranioencefálico (TCE) grave e incapacidade de proteger a via aérea. A intubação endotraqueal é prioritária para garantir oxigenação e ventilação adequadas, prevenindo lesões cerebrais secundárias. A anisocoria sugere hipertensão intracraniana e requer investigação rápida com TC de crânio e avaliação neurocirúrgica.

Contexto Educacional

O manejo do Traumatismo Cranioencefálico (TCE) é uma das emergências mais críticas na medicina, exigindo uma abordagem rápida e sistemática. A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é a ferramenta padrão para avaliar o nível de consciência, e uma pontuação de 6 indica um TCE grave, com alto risco de mortalidade e sequelas neurológicas. Nesses casos, a prioridade absoluta é a estabilização da via aérea, respiração e circulação (ABC do trauma). Um paciente com Glasgow ≤ 8 tem o reflexo de proteção de via aérea comprometido, o que o coloca em risco iminente de aspiração e hipóxia. Portanto, a intubação endotraqueal é mandatória para garantir uma via aérea patente, oxigenação cerebral adequada e controle da ventilação. A presença de anisocoria (pupila dilatada e sem reação à luz) é um sinal alarmante de herniação cerebral iminente devido ao aumento da pressão intracraniana (PIC), exigindo intervenção urgente. Após a intubação e estabilização inicial, é crucial manter a pressão de perfusão cerebral através de hidratação endovenosa cautelosa e, em seguida, realizar uma tomografia computadorizada (TC) de crânio de emergência para identificar lesões como hematomas epidurais, subdurais ou contusões. A avaliação neurocirúrgica é indispensável para determinar a necessidade de intervenção cirúrgica descompressiva. Focar em lesões menos graves antes de abordar a lesão cerebral principal é um erro crítico que pode levar a desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da Escala de Coma de Glasgow no TCE?

A Escala de Coma de Glasgow (ECG) é crucial para avaliar o nível de consciência e a gravidade do TCE. Uma pontuação ≤ 8 indica TCE grave e, geralmente, a necessidade de intubação para proteção das vias aéreas.

Por que a intubação endotraqueal é prioritária em um paciente com Glasgow 6?

A intubação é prioritária para garantir a permeabilidade das vias aéreas, oxigenação e ventilação adequadas. Pacientes com Glasgow 6 têm reflexos protetores de via aérea comprometidos, correndo risco de aspiração e hipóxia, que podem agravar a lesão cerebral.

Quais os próximos passos após a intubação em um TCE grave com anisocoria?

Após a intubação e estabilização hemodinâmica, os próximos passos incluem hidratação venosa para manter a pressão de perfusão cerebral, solicitar uma tomografia computadorizada de crânio de emergência para identificar lesões intracranianas e acionar a avaliação do neurocirurgião para conduta definitiva.

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