SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Um morador de área livre foi encontrado desacordado por policiais, com evidências de agressão em região frontotemporal esquerda. Foi levado para centro hospitalar especializado em trauma. Após intubação orotraqueal, avaliação primária e estabilização clínica, foi feita tomografia de corpo inteiro. Identificou-se tumefação cerebral difusa, sem lesões de massa. Não foi achada lesão em nenhum outro segmento corporal. Está agora em unidade de terapia intensiva, em preparo para a colocação de cateter para monitorar a pressão intracraniana (PIC). Cuidados no pré-operatório, além de solução hipertônica intravenosa:
TCE grave com PIC elevada → Cabeceira 30°, cabeça centrada, controle PA/glicemia/temperatura/coagulação, Hb ≥ 10 g/dL.
No manejo do TCE grave com suspeita de PIC elevada, além da solução hipertônica, é crucial otimizar a perfusão cerebral e minimizar fatores que aumentam a PIC. Isso inclui posicionamento adequado, controle metabólico rigoroso (glicemia, temperatura) e manutenção da homeostase (PA, hemoglobina, coagulação) para garantir oxigenação e evitar lesão secundária.
O traumatismo cranioencefálico (TCE) grave é uma das principais causas de mortalidade e morbidade em adultos jovens, exigindo manejo intensivo e multidisciplinar. A lesão cerebral primária é o dano direto ao tecido cerebral no momento do trauma, enquanto a lesão secundária é causada por eventos subsequentes como hipóxia, hipotensão, edema cerebral e aumento da pressão intracraniana (PIC). O manejo inicial do TCE grave foca na estabilização do paciente (ABCDE) e na prevenção de lesões secundárias. A monitorização da PIC é crucial em pacientes com TCE grave e Glasgow < 9, ou com TC alterada. Antes mesmo da monitorização, medidas para controlar a PIC e otimizar a perfusão cerebral devem ser instituídas. Os cuidados pré-operatórios e de UTI incluem a elevação da cabeceira a 30 graus com a cabeça centrada para otimizar o retorno venoso, controle rigoroso da pressão arterial para manter a pressão de perfusão cerebral, controle da glicemia (evitar hiperglicemia), controle da temperatura (evitar hipertermia), correção de coagulopatias e manutenção de níveis adequados de hemoglobina (geralmente ≥ 9-10 g/dL) para garantir a oxigenação cerebral. Soluções hipertônicas são usadas para reduzir o edema cerebral.
A elevação da cabeceira a 30 graus facilita o retorno venoso cerebral, o que ajuda a reduzir a pressão intracraniana (PIC) e otimiza a perfusão cerebral, sem comprometer o fluxo sanguíneo cerebral, desde que a pressão arterial seja mantida adequada.
A hiperglicemia pode piorar a lesão cerebral isquêmica e o edema, enquanto a hipertermia aumenta o metabolismo cerebral e a demanda por oxigênio, exacerbando a lesão. O controle rigoroso de ambos é vital para minimizar o dano secundário e melhorar os desfechos neurológicos.
A transfusão sanguínea é indicada para manter a hemoglobina em níveis adequados (geralmente ≥ 7 g/dL, mas em TCE grave, muitos guidelines sugerem ≥ 9-10 g/dL) para garantir uma boa capacidade de transporte de oxigênio ao cérebro e otimizar a perfusão cerebral, prevenindo isquemia.
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