Trauma Pediátrico: Reposição Volêmica no Choque Hipovolêmico

UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2015

Enunciado

A abordagem da criança politraumatizada requer conhecimento profissional, habilidade, rapidez nas ações e bom senso do profissional. Com essas considerações, assinale a alternativa CORRETA com relação a tal abordagem.

Alternativas

  1. A) Em pacientes inconscientes, sem reflexo do vômito e com respiração sustentável, o uso de cânula de orofaringe (Guedell) está contraindicado, preferindo-se a cânula nasofaríngea. 
  2. B) Uma vez obtida a via aérea, é recomendável hiperventilar o paciente, exceto em situações críticas como no aumento da pressão intracraniana por herniação central. 
  3. C) Há hipotensão arterial sistólica precoce no choque hipovolêmico, o que confere à avaliação da pressão arterial um procedimento de boa sensibilidade no reconhecimento da condição de descompensação hemodinâmica. 
  4. D) A reposição volêmica deve ser feita com cristaloides, em volumes de 20 ml/kg peso, infusão rápida, e, no insucesso após uma hora, deve-se considerar a administração de concentrado de hemácias no volume de 10 ml/kg peso.
  5. E) Deve-se sempre instalar um cateter vesical de Foley para monitorização do débito urinário, mesmo em caso de fratura pélvica ou sangue no meato uretral.

Pérola Clínica

Criança politraumatizada com choque hipovolêmico → Reposição volêmica inicial com cristaloides 20 ml/kg, seguida de hemácias se insucesso.

Resumo-Chave

Na criança politraumatizada com choque hipovolêmico, a reposição volêmica inicial é com cristaloides (SF 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus de 20 mL/kg. Se não houver resposta após 2-3 bolus, deve-se considerar a transfusão de concentrado de hemácias (10 mL/kg).

Contexto Educacional

A abordagem da criança politraumatizada exige um protocolo sistemático e rápido, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support) adaptados para a pediatria. A avaliação inicial segue o ABCDE (Via Aérea, Respiração, Circulação, Déficit Neurológico, Exposição), com prioridade para a manutenção da via aérea e ventilação, que são frequentemente comprometidas em traumas pediátricos. A cânula de orofaringe (Guedel) é útil em pacientes inconscientes sem reflexo de vômito para manter a via aérea pérvia. O choque hipovolêmico é a causa mais comum de choque em crianças traumatizadas. É importante lembrar que crianças podem manter a pressão arterial sistólica por mais tempo devido a mecanismos compensatórios, tornando a taquicardia, tempo de enchimento capilar prolongado e pulsos periféricos diminuídos marcadores mais sensíveis de descompensação hemodinâmica. A reposição volêmica inicial é crucial e deve ser feita com cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus de 20 mL/kg, repetindo-se até 2-3 vezes. Se a criança não responder aos bolus de cristaloides, deve-se considerar a transfusão de concentrado de hemácias na dose de 10 mL/kg. A monitorização do débito urinário com cateter vesical é importante, mas deve-se ter cautela em casos de suspeita de lesão uretral (sangue no meato, fratura pélvica), onde a uretrografia retrógrada é indicada antes da passagem do cateter. A hiperventilação profilática é contraindicada, exceto em sinais de herniação cerebral iminente.

Perguntas Frequentes

Qual a dose inicial de cristaloides para reposição volêmica em crianças com choque?

A dose inicial recomendada é de 20 mL/kg de cristaloides (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato), administrada rapidamente em bolus, podendo ser repetida.

Quando considerar a transfusão de concentrado de hemácias em crianças traumatizadas?

A transfusão de concentrado de hemácias (10 mL/kg) deve ser considerada se a criança não responder a 2-3 bolus de cristaloides ou apresentar sinais de choque persistente e perda sanguínea significativa.

Quais são as contraindicações para a inserção de cateter vesical em trauma pediátrico?

A presença de sangue no meato uretral, equimose perineal ou escrotal, ou fratura pélvica instável são contraindicações relativas à inserção de cateter vesical, devendo-se antes descartar lesão uretral.

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