Trauma Pediátrico Grave: Manejo Inicial e Choque

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente, 10 anos, vítima de atropelamento em via expressa, sem perda de consciência no local, referindo à equipe do resgate muita dor abdominal. Encaminhado ao serviço de referência de trauma. Na entrada na sala de emergência, evoluiu com rebaixamento de nível de consciência e pressão arterial inaudível, abdome tenso e equimose periumbilical. A sequência das medidas recomendadas é:

Alternativas

  1. A) Abertura de vias aéreas, colocação de colar cervical, entubação orotraqueal, aquisição de 2 acessos venosos periféricos, administração de coloide, seguido de hemoderivados, encaminhado para tomografia de corpo inteiro para programação de possível intervenção cirúrgica.
  2. B) Aquisição de 2 acessos periféricos, administração de 20 mL/kg de cristaloide, podendo ser repetido até 3 vezes, ponderar hemoderivados apos. Proceder, em seguida, cuidados com a via aérea (abertura seguida de entubação orotraqueal). En-caminhar para centro operatório para laparotomia exploradora.
  3. C) Abertura de vias aéreas, colocação de colar cervical, entubação orotraqueal, aquisição de 2 acessos venosos periféricos, administração de cristaloide, ponderar hemoderivados, caso persista hipotenso, bem como infusão de drogas vasoativas. Encaminhar para tomografia de corpo inteiro para programação de possível intervenção cirúrgica.
  4. D) Abertura de vias aéreas, colocação de colar cervical, entubação orotraqueal, aquisição de 2 acessos venosos periféricos, administração de cristaloide, ponderar hemoderivados, caso persista hipotenso, bem como infusão de drogas vasoativas. Encaminhar para centro operatório para laparotomia exploradora.

Pérola Clínica

Trauma pediátrico grave + choque + abdome tenso → ABCDE + fluidos/hemoderivados + laparotomia exploradora.

Resumo-Chave

O paciente pediátrico vítima de atropelamento com rebaixamento de nível de consciência, hipotensão, abdome tenso e equimose periumbilical indica choque hipovolêmico grave por hemorragia abdominal. A prioridade é a estabilização da via aérea e circulação (ABCDE), seguida por ressuscitação volêmica agressiva e encaminhamento imediato para laparotomia exploradora para controle da hemorragia.

Contexto Educacional

O trauma pediátrico é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças e adolescentes, exigindo uma abordagem rápida e sistemática. A fisiologia pediátrica difere da adulta, tornando as crianças mais vulneráveis a lesões multissistêmicas e com menor reserva fisiológica para compensar o choque. A avaliação inicial segue o protocolo ABCDE do ATLS (Advanced Trauma Life Support), que prioriza a identificação e tratamento de condições que ameaçam a vida. A compreensão da resposta fisiológica da criança ao trauma é crucial para residentes, pois sinais de choque podem ser mascarados por um tempo devido à capacidade compensatória, mas a descompensação pode ser abrupta e grave. No caso apresentado, o atropelamento, rebaixamento de nível de consciência, hipotensão inaudível, abdome tenso e equimose periumbilical são indicativos de choque hipovolêmico grave, provavelmente por hemorragia intra-abdominal ou retroperitoneal. A sequência de medidas recomendadas deve focar na estabilização rápida e no controle da fonte de sangramento. Após a garantia da via aérea e ventilação (intubação orotraqueal se necessário), a prioridade é o acesso venoso e a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides e, rapidamente, com hemoderivados, dado o quadro de choque grave. A decisão de encaminhar para laparotomia exploradora é crítica em pacientes com instabilidade hemodinâmica persistente e sinais de hemorragia abdominal maciça, pois a tomografia de corpo inteiro, embora útil para estadiamento, pode atrasar a intervenção salvadora. A laparotomia exploradora permite o controle direto da hemorragia e a reparação das lesões. Residentes devem estar aptos a reconhecer os sinais de choque refratário e a necessidade de intervenção cirúrgica imediata, priorizando a vida do paciente sobre a investigação diagnóstica completa em situações de emergência extrema.

Perguntas Frequentes

Qual a sequência correta do atendimento inicial no trauma pediátrico?

A sequência segue o protocolo ABCDE: A (Via Aérea com proteção cervical), B (Respiração), C (Circulação com controle de hemorragias), D (Déficit neurológico) e E (Exposição e controle de hipotermia).

Quais são os sinais de choque hipovolêmico grave em crianças com trauma?

Sinais incluem taquicardia, hipotensão (sinal tardio), tempo de enchimento capilar prolongado, pele fria e pegajosa, rebaixamento do nível de consciência e diminuição do débito urinário. A equimose periumbilical (sinal de Cullen) sugere hemorragia retroperitoneal.

Quando a laparotomia exploradora é indicada no trauma abdominal pediátrico?

A laparotomia exploradora é indicada em pacientes com trauma abdominal penetrante, instabilidade hemodinâmica persistente apesar da ressuscitação volêmica, peritonite, evisceração ou sinais de hemorragia incontrolável, como no caso descrito.

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