SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Criança de 6 anos é levada ao pronto-socorro pelos vizinhos com história de ter sido encontrada no chão, desacordada, ao lado de uma bicicleta. Ao exame físico, encontrava-se sudoreico, pálido, escala de coma de Glasgow 6, FC: 60 bpm, frequência respiratória: 10 ipm, PA: 150 × 80 mmHg e com hematoma subgaleal em região parietal direita, com, aproximadamente, 3 cm de diâmetro. A conduta inicial mais indicada para o caso clínico apresentado, após estabilização de vias aéreas e colar cervical deverá ser:
TCE grave com Glasgow ≤ 8 → IOT, controle PIC (hiperventilação, solução hiperosmolar, cabeceira 30°, sedação).
Em TCE grave, a prioridade após estabilização de vias aéreas é o controle da pressão intracraniana (PIC). Isso inclui intubação orotraqueal (IOT) para garantir ventilação adequada, hiperventilação controlada (se houver sinais de herniação), uso de soluções hiperosmolares (manitol ou salina hipertônica), elevação da cabeceira e sedação para reduzir o metabolismo cerebral e a PIC.
O Trauma Cranioencefálico (TCE) grave em pediatria é uma emergência médica com alta morbimortalidade, sendo uma das principais causas de óbito e sequelas neurológicas em crianças. A avaliação inicial e o manejo rápido e eficaz são cruciais para otimizar o prognóstico. A identificação precoce de sinais de hipertensão intracraniana (PIC) é vital. A fisiopatologia do TCE grave envolve lesão cerebral primária e secundária. A lesão secundária, muitas vezes evitável, é exacerbada por hipóxia, hipotensão e aumento da PIC. O manejo visa prevenir e tratar esses fatores. Após a estabilização da via aérea e coluna cervical, a intubação orotraqueal é indicada para pacientes com Glasgow ≤ 8, garantindo oxigenação e ventilação adequadas. O tratamento da hipertensão intracraniana inclui elevação da cabeceira a 30 graus, sedação e analgesia para reduzir o metabolismo cerebral e a resposta ao estresse, e o uso de soluções hiperosmolares (manitol ou salina hipertônica) para diminuir o edema cerebral. A hiperventilação controlada pode ser usada em casos de sinais de herniação cerebral iminente, mas com cautela devido ao risco de isquemia cerebral.
Sinais incluem diminuição do nível de consciência (Glasgow ≤ 8), bradicardia, hipertensão arterial (tríade de Cushing), pupilas anisocóricas ou fixas, e posturas de decorticação/descerebração.
A intubação protege a via aérea, previne aspiração e permite o controle da ventilação e oxigenação, que são fundamentais para evitar hipóxia e hipercapnia, fatores que aumentam a pressão intracraniana.
Soluções como manitol ou salina hipertônica criam um gradiente osmótico que retira água do parênquima cerebral para o espaço intravascular, reduzindo o edema cerebral e, consequentemente, a pressão intracraniana.
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