Trauma Cervical Zona II: Manejo da Via Aérea e Sinais de Alerta

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025

Enunciado

Luis, 30 anos, vítima de ferimento penetrante por arma branca na região cervical anterior, é trazido ao pronto-socorro hemodinamicamente estável. O ferimento está localizado na região correspondente à zona II do pescoço, com discreta saída de sangue pela ferida e enfisema subcutâneo local. Não há sinais de estridor, mas o paciente apresenta rouquidão. Qual é a melhor conduta inicial na abordagem deste paciente?

Alternativas

  1. A) Realizar radiografia simples do pescoço.
  2. B) Exploração cirúrgica imediata da lesão.
  3. C) Garantir a via aérea com intubação ou traqueostomia.
  4. D) Solicitar angiotomografia de pescoço.
  5. E) Realizar broncoscopia/ endoscopia de urgência.

Pérola Clínica

Trauma cervical com rouquidão ou enfisema subcutâneo → Garantir via aérea é a prioridade absoluta, mesmo com estabilidade hemodinâmica.

Resumo-Chave

Em traumas cervicais penetrantes, sinais como rouquidão e enfisema subcutâneo são 'hard signs' de lesão de via aérea. A conduta prioritária, seguindo o ATLS, é a garantia da via aérea devido ao risco iminente de obstrução por edema ou hematoma em expansão.

Contexto Educacional

O trauma cervical penetrante é uma condição de alta gravidade devido à concentração de estruturas vitais (vasculares, aéreas e digestivas) em uma pequena área. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a via aérea (A), respiração (B) e circulação (C). A divisão anatômica do pescoço em zonas (I, II e III) ajuda a guiar a investigação e o manejo, sendo a Zona II (entre a cartilagem cricoide e o ângulo da mandíbula) a mais comumente afetada e mais acessível cirurgicamente. A presença de 'hard signs' (sinais duros) indica uma alta probabilidade de lesão significativa e geralmente exige intervenção imediata. Para a via aérea, esses sinais incluem rouquidão, enfisema subcutâneo e estridor. A rouquidão, como no caso apresentado, sugere lesão direta da laringe ou do nervo laríngeo recorrente. O enfisema subcutâneo indica extravasamento de ar de uma lesão na via aérea ou no esôfago. A presença desses sinais alerta para um risco iminente de perda da via aérea por edema, hematoma ou colapso estrutural. A conduta correta diante de 'hard signs' de lesão de via aérea é a sua garantia definitiva e imediata, preferencialmente por intubação orotraqueal em ambiente controlado. Se a intubação não for possível ou for contraindicada, uma via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia ou traqueostomia) deve ser realizada. Adiar essa conduta para realizar exames de imagem, como a angiotomografia, é um erro grave que pode levar à morte do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os 'hard signs' de lesão de via aérea no trauma cervical?

Os 'hard signs' incluem estridor, dificuldade respiratória, rouquidão, enfisema subcutâneo cervical extenso e borbulhamento de ar pela ferida. A presença de qualquer um deles indica alta probabilidade de lesão e necessidade de intervenção imediata na via aérea.

Por que garantir a via aérea é a prioridade em um paciente estável com rouquidão?

A rouquidão sugere lesão laríngea ou do nervo laríngeo recorrente. Mesmo com o paciente estável, o edema progressivo ou um hematoma em expansão podem causar obstrução completa e súbita da via aérea. A intubação profilática é mais segura do que uma via aérea de emergência em um cenário de crise.

Como diferenciar a necessidade de intubação da de exploração cirúrgica imediata?

A necessidade de intubação é ditada por sinais de comprometimento da via aérea ('hard signs' aéreos). A exploração cirúrgica imediata é indicada por sinais de lesão vascular grave, como sangramento ativo, hematoma em expansão ou choque ('hard signs' vasculares). No ATLS, a via aérea (A) sempre precede a circulação (C).

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