Trauma Grave: Prioridade da Via Aérea no Paciente Politraumatizado

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

Motociclista colidiu em alta velocidade com caminhão, sendo ejetado a 10 metros, usando capacete. Recebe primeiro atendimento por unidade básica de resgate, sem médico, é protocolado com colar cervical em prancha rígida e prontamente transportado ao pronto-socorro. Chega na sala de emergência com Glasgow 5 e fratura exposta em tíbia direita com hematoma proximal. A primeira conduta é:

Alternativas

  1. A) Tomografia de crânio e avaliação da neurocirurgia o mais rápido possível.
  2. B) Fixação da fratura rapidamente, para estancar o sangramento.
  3. C) Estabelecer acesso venoso central para reposição volêmica imediata.
  4. D) Craniotomia descompressiva devido à certeza de hematoma intracraniano.
  5. E) Obter uma via aérea definitiva.

Pérola Clínica

Trauma grave (Glasgow ≤ 8) → Prioridade ABSOLUTA é via aérea definitiva (intubação) para proteger e ventilar.

Resumo-Chave

Em um paciente politraumatizado com Glasgow 5, a prioridade máxima é a obtenção de uma via aérea definitiva. Um Glasgow ≤ 8 indica incapacidade de proteger a via aérea e risco iminente de aspiração e hipóxia, exigindo intubação orotraqueal imediata, conforme os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support).

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente politraumatizado segue uma abordagem sistemática e hierárquica, preconizada pelo Advanced Trauma Life Support (ATLS), que prioriza a identificação e tratamento das lesões que ameaçam a vida. Essa abordagem é conhecida como a sequência ABCDE do trauma. A avaliação primária foca em "A" (Via Aérea com proteção da coluna cervical), "B" (Respiração e Ventilação), "C" (Circulação com controle de hemorragias), "D" (Avaliação Neurológica - Disability) e "E" (Exposição e Controle do Ambiente). No caso apresentado, o paciente chega com um Glasgow de 5, o que indica um trauma cranioencefálico grave. Um escore de Glasgow igual ou inferior a 8 é um critério absoluto para a obtenção de uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal. Isso se deve ao risco elevado de obstrução da via aérea, hipoventilação e aspiração de conteúdo gástrico, que podem levar rapidamente à hipóxia cerebral e morte. A proteção da via aérea é a medida mais crítica para garantir a oxigenação e ventilação adequadas. Para o residente, é fundamental internalizar a sequência do ABCDE e a prioridade da via aérea. Embora a fratura exposta e o hematoma sejam achados importantes, eles são abordados na avaliação secundária, após a estabilização das condições que ameaçam a vida. A tomada de decisão rápida e correta na sala de emergência, seguindo os princípios do ATLS, é determinante para o prognóstico do paciente traumatizado.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes do protocolo ABCDE no trauma?

O protocolo ABCDE consiste em: A (Airway/Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Breathing/Respiração e ventilação), C (Circulation/Circulação e controle de hemorragias), D (Disability/Avaliação neurológica) e E (Exposure/Exposição e controle do ambiente).

Qual o significado de um Glasgow de 5 em um paciente traumatizado?

Um Glasgow de 5 indica um trauma cranioencefálico grave. Com um Glasgow ≤ 8, o paciente é considerado incapaz de proteger sua própria via aérea, necessitando de intubação orotraqueal para garantir ventilação e prevenir aspiração.

Quando a intubação orotraqueal é indicada no trauma?

A intubação é indicada em pacientes com Glasgow ≤ 8, insuficiência respiratória, hipoxemia refratária, hipercapnia, obstrução de via aérea iminente, ou necessidade de sedação para procedimentos ou transporte.

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