Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024
Um homem de 35 anos, obeso mórbido, chegou ao pronto-socorro, conduzido pelo Corpo de Bombeiros, após um acidente automobilístico (condutor, usava cinto de segurança de 3 pontas com air bag deflagrado na cena). Ele se queixava de fortes dores abdominais e, ao exame, está pálido, diaforético, confuso. PA: 90/60 mmHg; FC: 120 bpm; FR: 26 mrpm; perfusão retardada. Exame torácico e pélvico normais. Notou-se distensão e defesa abdominal. Ausência de fraturas de extremidades. Mantidos os parâmetros hemodinâmicos após as medidas iniciais de reanimação; dosagem de lactato = 32,5 mmoL/L. O próximo passo na abordagem desse paciente deverá ser o seguinte:
Paciente politraumatizado instável com abdome agudo → FAST positivo = Laparotomia imediata.
Em pacientes vítimas de trauma com instabilidade hemodinâmica persistente e sinais de hemorragia abdominal, a prioridade é identificar rapidamente a fonte do sangramento e intervir. O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é a ferramenta de escolha para rastrear líquido livre na cavidade abdominal, indicando a necessidade de laparotomia exploradora.
O manejo do trauma abdominal é uma das situações mais críticas na emergência, exigindo raciocínio rápido e decisões assertivas. Pacientes com trauma abdominal fechado e sinais de choque hipovolêmico, como palidez, diaforese, confusão, hipotensão, taquicardia, perfusão retardada e lactato elevado, indicam hemorragia interna significativa. A persistência da instabilidade hemodinâmica após as medidas iniciais de reanimação é um sinal de alarme que exige intervenção imediata para controle da fonte do sangramento. Nesse cenário, a avaliação focada com ultrassonografia para trauma (FAST) é a ferramenta diagnóstica de escolha. O FAST é um exame rápido, não invasivo e que pode ser realizado à beira do leito, identificando a presença de líquido livre na cavidade abdominal (pericárdio, peritônio, espaços pleurais). Um FAST positivo em um paciente hemodinamicamente instável com suspeita de trauma abdominal é uma indicação formal de laparotomia exploradora de emergência, pois sugere sangramento ativo que necessita de controle cirúrgico imediato. É fundamental evitar exames que demandem tempo e transporte do paciente, como a tomografia computadorizada, em indivíduos instáveis. A prioridade é a estabilização hemodinâmica e o controle da hemorragia. O lavado peritoneal diagnóstico (LPD) é uma alternativa ao FAST quando este não está disponível ou é inconclusivo, mas o FAST é geralmente preferido por ser menos invasivo. A calça pneumática antichoque (MAST/PASG) é uma medida obsoleta e não recomendada pelas diretrizes atuais do ATLS (Advanced Trauma Life Support).
A conduta inicial envolve a avaliação primária (ABCDE), controle de hemorragias externas, acesso venoso calibroso, reposição volêmica com cristaloides e, se necessário, hemoderivados. A busca pela fonte do sangramento é crucial.
O FAST é indicado na avaliação primária de pacientes vítimas de trauma, especialmente aqueles com instabilidade hemodinâmica e suspeita de sangramento em cavidades. Ele permite identificar rapidamente a presença de líquido livre (sangue) no pericárdio, peritônio e espaços pleurais, guiando a decisão por intervenção cirúrgica imediata.
A tomografia computadorizada é contraindicada em pacientes hemodinamicamente instáveis porque exige o transporte do paciente para fora da sala de emergência e consome tempo valioso, atrasando a reanimação e a intervenção cirúrgica necessária para controlar a hemorragia.
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