Trauma Abdominal: Quando Indicar TC ou Laparotomia?

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (DF) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 28 anos de idade é admitido após colisão de alta velocidade, com dor abdominal difusa e sinais de choque hipovolêmico (pressão arterial de 80/50 mmHg e pulso de 120 bpm). A FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) revela líquido livre no espaço de Morrison. Considerando o quadro clínico, bem como o tema e seus assuntos correlatos, julgue os itens a seguir: O próximo passo diagnóstico deve ser uma tomografia computadorizada de abdome, independentemente da estabilidade hemodinâmica do paciente.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Trauma abdominal + Instabilidade hemodinâmica = Laparotomia exploradora imediata, não Tomografia Computadorizada.

Resumo-Chave

A tomografia computadorizada (TC) é um exame fundamental na avaliação do trauma abdominal em pacientes estáveis. Contudo, em pacientes hemodinamicamente instáveis, o tempo gasto para realizar a TC atrasaria o tratamento definitivo (controle da hemorragia), aumentando a morbimortalidade. A prioridade é a cirurgia.

Contexto Educacional

O manejo do paciente com trauma abdominal é um pilar do atendimento de emergência, guiado pelos princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS). A decisão mais crítica na avaliação inicial é determinar a presença de instabilidade hemodinâmica, pois ela dita a sequência diagnóstica e terapêutica. A estabilidade hemodinâmica é o divisor de águas entre a investigação por imagem e a intervenção cirúrgica imediata. Em um paciente hemodinamicamente estável, a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome com contraste é o padrão-ouro para identificar e graduar lesões de órgãos sólidos e vísceras ocas. Ela fornece um mapa anatômico detalhado que permite, em muitos casos, um tratamento não operatório. A TC, no entanto, requer o transporte do paciente para o setor de radiologia e tempo para sua realização, o que é inaceitável para um paciente instável. Para o paciente com trauma abdominal e instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, má perfusão), a prioridade absoluta é o controle da fonte de sangramento. A conduta correta é a laparotomia exploradora de emergência. Ferramentas como o FAST podem auxiliar na decisão, confirmando a presença de hemoperitônio à beira do leito. A afirmação de que a TC deve ser realizada independentemente da estabilidade hemodinâmica é, portanto, um erro grave que viola os princípios fundamentais do ATLS.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica no trauma?

Sinais incluem hipotensão (Pressão Arterial Sistólica < 90 mmHg), taquicardia (Frequência Cardíaca > 120 bpm), pulso filiforme, tempo de enchimento capilar prolongado (> 2s), alteração do nível de consciência e resposta transitória ou ausente à reposição volêmica inicial.

Qual a conduta inicial em um paciente com trauma abdominal e instabilidade?

A conduta segue o ABCDE do ATLS. Após garantir via aérea e ventilação, a prioridade é a circulação (C), com acesso venoso calibroso, reposição volêmica agressiva (protocolo de transfusão maciça, se indicado) e indicação de laparotomia exploradora de emergência para controle da hemorragia.

Qual o papel do FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) nesse cenário?

O FAST é um ultrassom rápido à beira do leito, ideal para pacientes instáveis. Um FAST positivo (presença de líquido livre na cavidade peritoneal) confirma a suspeita de hemoperitônio e reforça a indicação de laparotomia imediata, sem a necessidade de outros exames de imagem.

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