UNIRV - Universidade de Rio Verde (GO) — Prova 2021
Em relação à abordagem da vítima de trauma, leia os cenários abaixo, seus respectivos conceitos e julgue cada assertiva em verdadeiro (V) ou falso (F). I – Homem de 27 anos, vítima de acidente automobilístico, deu entrada na sala vermelha da UPA consciente, orientado, relatando dor abdominal mais acentuada em hipocôndrio direito. Ao exame físico: vias aéreas pérvias; murmúrio vesicular simétrico bilateralmente sem ruídos adventícios; descorado (++ / 4+), pressão arterial (PA) 90 X 55 mmHg, FC 128 bpm. Foi realizada, imediatamente, ressuscitação volêmica com infusão de 1 litro de cristaloide. Subsequentemente, o paciente evoluiu com estabilidade hemodinâmica sendo realizada tomografia computadorizada de abdome que demonstrou hematoma subcapsular no segmento VI e laceração no segmento VII de 06 cm de extensão e 04 cm de profundidade, com líquido peri-hepático e na goteira parietocólica direita, em pequena quantidade. A conduta é laparotomia exploradora. II – No trauma duodenal grau III, ocorre laceração de 50 a 75% da segunda porção duodenal ou maior que 50% nas demais porções, sendo fundamental o tratamento cirúrgico pela cirurgia de Vaughan, que consiste em duodenorrafia e exclusão pilórica, por gastrojejunostomia. III – Homem vítima de ferimento por arma branca em flanco esquerdo foi submetido à laparotomia exploradora cerca de 3 horas depois da agressão. No ato cirúrgico, foi observada lesão de sigmoide com 4,7 cm de comprimento. Tendo isto em vista, a conduta mais apropriada é a correção pela técnica de Hartmann. IV – Homem, 38 anos de idade, foi admitido no Setor de Emergência do Hospital Universitário vítima de atropelamento automobilístico. Não evoluiu com amnésia nem rebaixamento do nível de consciência, manteve estabilidade hemodinâmica, mas possuía uretrorragia. Foram realizadas radiografias, evidenciando fratura de bacia. Relata sensação de plenitude vesical, contudo não consegue urinar após o acidente. Possui hematoma perineal. A uretrografia retrógada é o exame mais específico para avaliação da uretrorragia e o local mais provável desta lesão é a uretra membranosa.
Trauma abdominal: Lesões hepáticas estáveis → manejo conservador. Lesões duodenais complexas → cirurgia de Vaughan. Lesões de cólon → primária ou Hartmann conforme contaminação. Uretrorragia + fratura pélvica → uretrografia retrógrada.
A abordagem do trauma abdominal e pélvico exige avaliação individualizada. Lesões hepáticas em pacientes hemodinamicamente estáveis podem ser manejadas de forma não operatória. Lesões complexas do duodeno e cólon têm indicações cirúrgicas específicas, como a cirurgia de Vaughan para duodeno e Hartmann para cólon em casos selecionados. A uretrorragia em trauma pélvico é um sinal de alerta para lesão uretral, sendo a uretrografia retrógrada o exame de escolha.
O manejo do trauma abdominal e pélvico é um pilar fundamental na emergência médica, exigindo raciocínio rápido e decisões precisas. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS, focando na estabilização hemodinâmica e identificação de lesões com risco de vida. A diferenciação entre manejo operatório e não operatório é crucial, especialmente para lesões de órgãos sólidos como fígado e baço, onde a estabilidade hemodinâmica do paciente é o principal fator determinante. A compreensão das classificações de lesões e suas implicações terapêuticas é essencial para otimizar os resultados do paciente. A fisiopatologia das lesões traumáticas varia amplamente, desde contusões e lacerações até avulsões e perfurações. O diagnóstico preciso depende de uma combinação de exame físico, exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia (FAST), tomografia computadorizada e uretrografia retrógrada. A suspeita clínica de lesões específicas, como a uretral em fraturas pélvicas ou a duodenal em traumas de alta energia, é vital para a solicitação dos exames corretos e a instituição da terapia adequada. A identificação precoce de sangramentos ativos ou contaminação peritoneal guia a necessidade de intervenção cirúrgica imediata. O tratamento das lesões traumáticas pode variar desde o manejo conservador com monitorização intensiva até intervenções cirúrgicas complexas. Para lesões hepáticas e esplênicas em pacientes estáveis, o manejo não operatório é frequentemente bem-sucedido. Já para lesões do trato gastrointestinal, como duodeno e cólon, a cirurgia é frequentemente necessária, com técnicas específicas como a cirurgia de Vaughan para lesões duodenais complexas ou o procedimento de Hartmann para lesões colônicas selecionadas. O prognóstico depende da gravidade das lesões, tempo até o tratamento e presença de comorbidades, sendo a reabilitação um componente importante do cuidado pós-trauma.
O manejo não operatório é indicado para pacientes com lesões hepáticas que estão hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite ou sangramento ativo contínuo. É a conduta preferencial na maioria dos casos, com altas taxas de sucesso.
A uretrografia retrógrada é crucial para diagnosticar lesões uretrais em pacientes com trauma pélvico e uretrorragia, hematoma perineal ou incapacidade de urinar. Ela define a extensão da lesão e guia a conduta, evitando cateterização uretral que pode agravar a lesão.
A técnica de Hartmann é geralmente reservada para lesões de cólon com grande contaminação fecal, extensa perda de tecido, instabilidade hemodinâmica do paciente ou em casos de imunossupressão, onde a anastomose primária seria de alto risco. Em lesões menores e pacientes estáveis, a anastomose primária é frequentemente preferida.
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