TSV em Lactentes: Manejo da Taquicardia Instável

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 3 meses é levado à emergência com quadro de choro excessivo, recusa alimentar e respiração ofegante, com “batedeira” há 3 horas. É levado para a sala de emergência e monitorado, sendo obtido o eletrocardiograma abaixo. Ao exame físico o paciente encontra-se irritado, agitado, com tempo de enchimento capilar de 7 segundos, pulsos periféricos finos e PA: 57  32 mmHg.Dentre os tratamentos abaixo, a melhor conduta inicial é:

Alternativas

  1. A) Manobras vagais, como compressão do globo ocular ou estimulação do seio carotídeo.
  2. B) Administração de adenosina intravenosa, na dose inicial de 0,1 mg/kg,
  3. C) Cardioversão elétrica sincronizada, com carga inicial de 2-4 J/kg.
  4. D) Desfibrilação imediata com carga inicial de 2-4 J/kg.
  5. E) Soro fisiológico 20 mL/kg em seringa.

Pérola Clínica

TSV instável em lactente → Adenosina IV (0,1 mg/kg) como primeira linha, se não responsivo ou grave, cardioversão.

Resumo-Chave

Lactentes com taquicardia supraventricular (TSV) e sinais de instabilidade hemodinâmica (choque) requerem intervenção rápida. Embora a cardioversão elétrica seja uma opção para instabilidade grave, a adenosina intravenosa é frequentemente a primeira escolha farmacológica para TSV em crianças, devido à sua rápida ação e reversibilidade, especialmente se o ritmo for de complexo estreito.

Contexto Educacional

A taquicardia supraventricular (TSV) é a arritmia mais comum em lactentes e pode levar rapidamente à descompensação hemodinâmica devido à imaturidade do miocárdio e à dependência da frequência cardíaca para o débito cardíaco. A identificação precoce de sinais de choque, como tempo de enchimento capilar prolongado, pulsos finos, hipotensão e alteração do estado mental, é crucial para um manejo adequado e rápido. O tratamento da TSV em lactentes depende da estabilidade hemodinâmica. Em pacientes estáveis, manobras vagais (como compressão da face com gelo) podem ser tentadas. No entanto, em lactentes instáveis, a intervenção farmacológica ou elétrica é imperativa. A adenosina intravenosa é a droga de primeira escolha para TSV de complexo estreito, mesmo em pacientes com sinais de choque, devido à sua rápida ação e alta taxa de sucesso na reversão do ritmo. A dose inicial é de 0,1 mg/kg, com doses subsequentes de 0,2 mg/kg se necessário, administrada em bolus rápido seguido de flush salino. Se a adenosina falhar ou se a instabilidade for extremamente grave (choque refratário), a cardioversão elétrica sincronizada é a próxima etapa. É fundamental que os residentes estejam familiarizados com as doses e a técnica de administração da adenosina, bem como com os critérios para indicação de cardioversão, para garantir o melhor prognóstico para esses pacientes pediátricos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em um lactente com TSV?

Sinais de instabilidade incluem tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos), pulsos periféricos finos ou ausentes, hipotensão, irritabilidade ou letargia, má perfusão periférica e sinais de choque, como taquipneia e taquicardia persistente.

Por que a adenosina é a primeira escolha para TSV em lactentes, mesmo com instabilidade?

A adenosina é um fármaco de ação ultrarrápida que bloqueia a condução no nó AV, sendo altamente eficaz para reverter a maioria das TSVs. Em pacientes instáveis, se o acesso venoso estiver disponível, a adenosina pode ser administrada rapidamente antes de considerar a cardioversão elétrica, especialmente se o ritmo for de complexo estreito.

Quando a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta inicial para TSV em lactentes?

A cardioversão elétrica sincronizada é a conduta inicial para TSV em lactentes com instabilidade hemodinâmica grave e refratária à adenosina, ou quando a adenosina é contraindicada, ou em casos de TSV de complexo largo. A dose inicial recomendada é de 0,5 a 1 J/kg, podendo ser aumentada para 2 J/kg se necessário.

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