USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Homem, 64 anos de idade, internado na enfermaria. Ele tem hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito tipo 2 e insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada. Ele foi admitido no pronto-socorro no dia anterior por conta de calafrios, febre e dor no flanco direito, sendo diagnosticado com cálculo ureteral e pielonefrite. Foi introduzida ceftriaxona e o paciente aguarda para passagem de duplo J pela equipe de urologia. A enfermagem aciona a equipe médica para reavaliá-lo e informa que já realizou um eletrocardiograma, apresentado a seguir:Neste momento, o paciente queixa-se de dor no flanco direito de moderada intensidade e palpitações. Exame físico: PA de 110x70 mmHg, FC de 115 bpm, temperatura axilar de 37,6 °C, FR de 18 ipm, saturação de oxigênio 95%; bulhas cardíacas hiperfonéticas e sem sopros, enchimento capilar de 3 segundos; dor à palpação do flanco direito. Assinale a alternativa com a conduta indicada, neste momento, para o paciente.
Taquicardia sinusal em paciente com dor/febre/sepse → Tratar a causa base (analgesia, antitérmico, fluidos), não o ritmo cardíaco.
A taquicardia sinusal apresentada pelo paciente é uma resposta fisiológica compensatória à dor, febre e ao estado infeccioso (sepse). A conduta correta é tratar os fatores desencadeantes, como a dor (com dipirona), em vez de suprimir a frequência cardíaca com antiarrítmicos ou betabloqueadores, o que poderia causar instabilidade hemodinâmica.
A taquicardia sinusal é o achado arrítmico mais comum em pacientes com sepse e representa uma resposta fisiológica do sistema nervoso autônomo ao estresse metabólico. A infecção, a febre, a dor e a hipovolemia relativa (vasodilatação) ativam o sistema simpático, que aumenta a frequência cardíaca para manter o débito cardíaco e a perfusão tecidual. Nesse contexto, a taquicardia não é a doença primária, mas sim um sinal de alerta de um problema subjacente. A abordagem terapêutica correta, portanto, não é direcionada para a redução da frequência cardíaca, mas sim para o tratamento da causa raiz. Isso inclui analgesia adequada, controle da febre, reposição volêmica, antibioticoterapia e, se necessário, suporte vasopressor. Tentar 'frear' o coração com betabloqueadores ou antiarrítmicos pode ser deletério, pois remove um mecanismo compensatório vital, precipitando hipotensão e choque. O eletrocardiograma do paciente mostra uma taquicardia regular de complexo QRS estreito, com ondas P visíveis precedendo cada QRS, caracterizando uma taquicardia sinusal. Diante da queixa de dor e do quadro infeccioso, a administração de um analgésico como a dipirona é a medida mais apropriada e segura no momento, pois ao aliviar a dor, um dos estímulos para a taquicardia é removido, podendo levar à normalização da frequência cardíaca.
As causas mais comuns incluem dor, febre, ansiedade, hipovolemia, hipoxemia, anemia, embolia pulmonar e efeitos de medicamentos (ex: beta-agonistas). Em um paciente com infecção, a sepse é um fator primordial.
A conduta segue os protocolos de sepse (ex: Surviving Sepsis Campaign): garantir via aérea e oxigenação, administrar fluidos intravenosos para tratar a hipovolemia, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro e controlar os gatilhos, como febre e dor.
A taquicardia sinusal geralmente tem uma frequência entre 100-150 bpm, com início e término graduais, e cada complexo QRS é precedido por uma onda P com morfologia normal e eixo fisiológico. As taquicardias supraventriculares (ex: TRN) costumam ter início e término súbitos, frequências mais altas (>150 bpm) e a onda P pode estar ausente, retrógrada ou sobreposta ao QRS.
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