USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Mulher de 57 anos queixa-se de ondar de calor intensas, dor em queimação e prurido na região genital, e dor intensa nas relações sexuais. Encontra-se em seguimento de câncer de mama tratado há 3 anos e faz uso de tamoxifeno. Assinale a alternativa correta em relação ao esquema terapêutico correto para esta mulher.
Câncer de mama + sintomas menopausa → tratamento não hormonal (Venlafaxina, hidratantes vaginais).
Pacientes com histórico de câncer de mama, especialmente aquelas em uso de tamoxifeno, têm contraindicação para terapia de reposição hormonal. O manejo dos sintomas vasomotores (ondas de calor) e da síndrome geniturinária da menopausa deve ser feito com abordagens não hormonais, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN) como a venlafaxina, e tratamentos locais como hidratantes e lubrificantes vaginais.
O manejo dos sintomas do climatério em mulheres com histórico de câncer de mama representa um desafio clínico significativo, pois a terapia de reposição hormonal (TRH) é geralmente contraindicada devido ao risco de recorrência da doença. A paciente em questão apresenta sintomas vasomotores intensos (ondas de calor) e síndrome geniturinária da menopausa (dor em queimação, prurido genital, dispareunia), agravados pelo uso de tamoxifeno, que pode induzir ou exacerbar esses sintomas. Para as ondas de calor, a venlafaxina, um inibidor seletivo da recaptação de serotonina e noradrenalina (ISRSN), é uma das opções não hormonais mais eficazes e bem estudadas. Outras alternativas incluem paroxetina, gabapentina e clonidina. A escolha deve ser individualizada, considerando o perfil de efeitos colaterais e interações medicamentosas. Para a síndrome geniturinária da menopausa, que inclui secura, dor e prurido vaginal, além de dispareunia, a abordagem deve ser local e não hormonal. O uso regular de hidratantes vaginais, que restauram a umidade e a elasticidade da mucosa, e lubrificantes à base de água ou silicone durante as relações sexuais são as primeiras linhas de tratamento. Em casos mais refratários, terapias como o laser vaginal podem ser consideradas. É fundamental orientar a paciente sobre a importância da adesão a essas medidas para melhorar sua qualidade de vida, sem comprometer a segurança oncológica.
A terapia hormonal é contraindicada devido ao risco de estimular a recorrência do câncer de mama, que frequentemente é hormônio-sensível. O tamoxifeno, inclusive, atua como um modulador seletivo do receptor de estrogênio, e a adição de hormônios exógenos pode comprometer o tratamento.
Para ondas de calor, opções não hormonais incluem antidepressivos como venlafaxina (ISRSN), paroxetina (ISRS), gabapentina e clonidina. A venlafaxina é frequentemente uma escolha eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves.
Para a síndrome geniturinária, o tratamento não hormonal inclui o uso regular de hidratantes vaginais para melhorar a umidade e elasticidade da mucosa, e lubrificantes à base de água ou silicone durante a relação sexual para reduzir a dispareunia. O laser vaginal pode ser considerado em casos refratários.
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