Manejo de Corrimento Vaginal: Protocolo PCDT IST 2022

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2023

Enunciado

Segundo o “PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS PARA ATENÇÃO INTEGRAL ÀS PESSOAS COM INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (IST) – 2022”, utilizando seu “FLUXOGRAMA PARA O MANEJO DE CORRIMENTO VAGINAL”, podemos considerar que pacientes com queixa de corrimento genital, sem história clínica ou achados no exame ginecológico de cervicites:

Alternativas

  1. A) Devam tratar candidíase, vaginose e trichomoníase, caso não haja microscopia a fresco, hidróxido de potássio a 10% e/ou avaliação do pH vaginal
  2. B) Devam tratar candidíase caso o teste com hidróxido de potássio a 10% seja positivo, mas a queixa de prurido genital seja predominante
  3. C) Devam tratar vaginose caso o teste de hidróxido de potássio a 10% seja negativo, mas a queixa de mau odor vaginal seja predominante
  4. D) Devam tratar a parceria sexual apenas em suspeitas de trichomoníase confirmadas pela microscopia a fresco

Pérola Clínica

Sem exames (pH/KOH/microscopia) → Tratar Candidíase + Vaginose + Tricomoníase.

Resumo-Chave

Na ausência de ferramentas diagnósticas de consultório, o protocolo de 2022 preconiza a cobertura sindrômica tripla para as causas mais comuns de corrimento vaginal.

Contexto Educacional

O manejo das vulvovaginites no Brasil é guiado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Atenção Integral às Pessoas com IST. A estratégia sindrômica é fundamental para reduzir a carga de doenças e prevenir complicações, especialmente onde o suporte laboratorial é escasso. O fluxograma direciona o médico a avaliar primeiro a presença de cervicite; se ausente, foca-se no conteúdo vaginal. A ausência de ferramentas diagnósticas simples (pH, KOH, microscopia) obriga a cobertura empírica das três principais etiologias para evitar falha terapêutica e retorno da paciente.

Perguntas Frequentes

Quando realizar o tratamento sindrômico triplo no corrimento vaginal?

O tratamento sindrômico para candidíase, vaginose bacteriana e tricomoníase é indicado quando a paciente apresenta queixa de corrimento vaginal e, durante o exame ginecológico, não há sinais de cervicite (colo uterino íntegro, sem dor à mobilização ou secreção purulenta pelo orifício externo), e o examinador não dispõe de microscopia a fresco, teste do pH vaginal ou teste do hidróxido de potássio (KOH 10% - teste das aminas). Essa abordagem garante o tratamento imediato das causas mais prevalentes de vulvovaginites na atenção primária, reduzindo a carga da doença e o risco de transmissão de tricomoníase.

Como diferenciar clinicamente cervicite de vulvovaginite?

A diferenciação é crucial para o manejo. As vulvovaginites (vaginose, candidíase, tricomoníase) geralmente apresentam prurido, odor fétido e corrimento que se origina nas paredes vaginais, sem comprometer o colo. Já a cervicite (causada por clamídia ou gonococo) manifesta-se com friabilidade do colo, dor à mobilização cervical e presença de muco pus no orifício externo cervical. O protocolo exige que, na suspeita de cervicite, o tratamento inclua cobertura para Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, além de investigação de parcerias sexuais.

Qual a conduta para parcerias sexuais na tricomoníase?

Diferente da vaginose bacteriana e da candidíase vulvovaginal, a tricomoníase é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Portanto, o tratamento da parceria sexual é obrigatório, independentemente da presença de sintomas no parceiro. O tratamento de escolha costuma ser o Metronidazol 2g por via oral em dose única. Nas outras vulvovaginites, o tratamento do parceiro só é indicado em casos específicos de recorrência ou sintomas evidentes no homem (no caso da candidíase), visando interromper a cadeia de transmissão.

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