Síndrome Nefrótica Pediátrica: Critérios de Alta Hospitalar

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Escolar, sexo feminino, 6 anos de idade, portadora de síndrome nefrótica córtico-dependente, está internada em enfermaria de pediatria há 4 dias. A paciente apresentou sintomas compatíveis com resfriado comum iniciados há 1 semana e, no dia da internação, mãe relatava redução importante da diurese e lipotimia. O peso aferido na chegada foi de 31 kg (ganho de 6 kg em relação à última consulta). Hoje, a paciente está no quarto dia de internação, recebendo dieta hipossódica, infusão endovenosa de albumina humana uma vez ao dia (última dose ontem pela manhã) e prednisona oral. Está sem novas queixas, em bom estado geral, afebril e normotensa. Seguem abaixo: a tabela com a evolução dos exames laboratoriais na internação e o balanço hídrico registrado pela enfermagem nas últimas 24 horas. Qual é a afirmação correta com relação à programação a ser estabelecida?

Alternativas

  1. A) Segue apresentando indicação de albumina humana endovenosa diariamente.
  2. B) Tem indicação de receber diurético de alça duas a três vezes ao dia.
  3. C) Apresenta condições de alta hospitalar e seguimento ambulatorial.
  4. D) Tem indicação de receber soro de manutenção basal 100ml/100kcal, restrito em sódio.

Pérola Clínica

SN córtico-dependente estável, sem sinais de descompensação aguda → alta hospitalar e seguimento ambulatorial.

Resumo-Chave

Em pacientes com síndrome nefrótica córtico-dependente, a indicação de albumina e diuréticos é para fases de descompensação aguda com edema refratário ou hipovolemia. Uma vez estabilizado o quadro, sem novas queixas e com bom estado geral, a alta hospitalar para seguimento ambulatorial é a conduta adequada, evitando intervenções desnecessárias.

Contexto Educacional

A síndrome nefrótica é uma condição renal caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Em pediatria, a forma córtico-dependente é comum, exigindo manejo cuidadoso, especialmente durante as exacerbações. A compreensão dos critérios de internação e alta é fundamental para a prática clínica e a segurança do paciente. O tratamento inicial visa controlar o edema e a proteinúria, geralmente com corticosteroides. Durante uma crise, a redução da diurese e o ganho de peso são sinais de retenção hídrica e edema. A infusão de albumina pode ser necessária em casos de hipovolemia grave ou edema refratário com risco de complicações. No entanto, o uso indiscriminado pode levar a sobrecarga volêmica. A prednisona oral é a base do tratamento para induzir a remissão e manter o controle da doença. Uma vez que o paciente apresenta melhora clínica, bom estado geral, está afebril e normotenso, sem sinais de descompensação aguda, a alta hospitalar com seguimento ambulatorial é a conduta mais apropriada. Isso permite que a criança retorne ao ambiente familiar, enquanto continua o tratamento e monitoramento, evitando hospitalizações prolongadas desnecessárias e seus riscos associados.

Perguntas Frequentes

Quando a albumina humana endovenosa é indicada na síndrome nefrótica?

A albumina é indicada em casos de hipovolemia grave (choque) ou edema refratário que causa desconforto respiratório ou comprometimento da pele, geralmente associada a diuréticos. Não é para uso rotineiro em pacientes estáveis.

Quais são os sinais de estabilidade para alta em síndrome nefrótica?

Sinais de estabilidade incluem bom estado geral, ausência de novas queixas, afebril, normotenso, sem sinais de hipovolemia ou edema grave, e com resposta inicial ao tratamento, permitindo seguimento ambulatorial.

Por que a restrição hídrica e sódica é importante na síndrome nefrótica?

A restrição hídrica e sódica é crucial para controlar o edema, que é uma das principais manifestações da síndrome nefrótica. O sódio promove a retenção de água, exacerbando o inchaço.

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