Síndrome de Guillain-Barré: Diagnóstico e Manejo Inicial

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Feminino, 30 anos, vem ao ambulatório com queixa de fraqueza inicialmente em membros inferiores há 3 dias, evoluindo com piora da força muscular em membros superiores há 2 dias. Refere um quadro diarreico há 2 semanas antes do início dos sintomas atuais. Nega disfagia, diplopia, perda de controle esfincteriano, sem nível sensitivo. Nega comorbidades ou história familiar de doença neurológica. Qual o manejo correto desta paciente?

Alternativas

  1. A) Acompanhamento ambulatorial, pois se trata de miastenia gravis, devendo ser realizada coleta de líquor e prescrita prednisona.
  2. B) Internação hospitalar, pois se trata de uma crise miastênica, devendo ser realizada eletroneuromiografia e prescrita imunoglobulina humana.
  3. C) Internação hospitalar, pois se trata de uma síndrome de Guillain Barré, devendo ser realizada coleta de líquor e prescrita imunoglobulina humana.
  4. D) Acompanhamento ambulatorial, pois se trata de uma síndrome de Guillain Barré, devendo ser realizada coleta de líquor e prescrita prednisona.

Pérola Clínica

Fraqueza ascendente + infecção prévia + ausência de nível sensitivo = SGB. Manejo: internação, líquor, imunoglobulina.

Resumo-Chave

O quadro de fraqueza ascendente após um pródromo infeccioso, sem nível sensitivo ou disfunção esfincteriana, é altamente sugestivo de Síndrome de Guillain-Barré. A conduta correta envolve internação hospitalar para monitorização, coleta de líquor para confirmação diagnóstica e início de imunoglobulina humana intravenosa como tratamento específico.

Contexto Educacional

A Síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma emergência neurológica caracterizada por uma polirradiculoneuropatia desmielinizante inflamatória aguda. É a causa mais comum de paralisia flácida aguda adquirida em adultos e crianças. A história de uma infecção prévia (gastrointestinal ou respiratória) nas semanas anteriores ao início dos sintomas é um achado comum, presente em cerca de 70% dos casos, sendo o Campylobacter jejuni um dos principais agentes etiológicos. O quadro clínico clássico da SGB envolve fraqueza muscular progressiva e simétrica, geralmente ascendente, acompanhada de arreflexia ou hiporreflexia. Sintomas sensitivos como parestesias também são comuns, mas a ausência de nível sensitivo e de disfunção esfincteriana ajuda a diferenciá-la de mielopatias. A disautonomia (taquicardia, hipertensão, hipotensão postural) pode ocorrer e é um sinal de gravidade. A progressão da fraqueza para os músculos respiratórios ou bulbares (disfagia, disartria) indica risco de vida e necessidade de intervenção imediata. O manejo da SGB requer internação hospitalar para monitorização rigorosa da função respiratória e cardíaca. O diagnóstico é clínico e laboratorial, com a coleta de líquor mostrando a clássica dissociação albumino-citológica. O tratamento específico consiste em imunoglobulina intravenosa (IVIg) ou plasmaférese, que devem ser iniciados o mais precocemente possível para limitar a progressão da doença e acelerar a recuperação. Corticoides isolados não são recomendados.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos que sugerem Síndrome de Guillain-Barré neste caso?

A fraqueza muscular progressiva e ascendente (iniciando em membros inferiores e subindo para superiores), associada a um quadro infeccioso prévio (diarreia há 2 semanas), e a ausência de sintomas como disfagia, diplopia ou nível sensitivo, são altamente sugestivos de SGB.

Por que a internação hospitalar é crucial para pacientes com suspeita de SGB?

A internação é fundamental devido ao risco de progressão rápida da fraqueza para os músculos respiratórios e bulbares, o que pode levar à insuficiência respiratória e necessidade de ventilação mecânica. Além disso, permite a realização de exames diagnósticos e o início imediato do tratamento específico.

Qual o papel da imunoglobulina humana no tratamento da Síndrome de Guillain-Barré?

A imunoglobulina humana intravenosa (IVIg) é um dos tratamentos de primeira linha para a SGB. Ela atua modulando a resposta imune, neutralizando autoanticorpos e reduzindo a inflamação, o que pode encurtar a duração da doença e acelerar a recuperação.

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