HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2022
Primigesta de 23 anos, com 38 e 3/7 semanas de idade gestacional, chega à maternidade em trabalho de parto. No cartão de pré-natal consta que a gestante na 1ª consulta, com 18 semanas, a gestante apresentou teste rápido para sífilis reagente com VDRL de 1:64. Foi prescrita penicilina benzatina e a paciente recebeu três doses de 1.200.000 UI (1 vez por semana). Durante o seguimento, o VDRL reduziu até 1:16. Colhido VDRL da puérpera na maternidade, que foi de 1:64. Entre as seguintes propostas de manejo para o recém-nascido desta paciente, a mais indicada é realizar
VDRL puérpera ↑ após tratamento = falha terapêutica ou reinfecção; RN exige investigação completa para sífilis congênita.
A elevação do VDRL da puérpera após tratamento ou a ausência de queda de 2 diluições em 3 meses indica falha terapêutica ou reinfecção, classificando o tratamento materno como inadequado. Nesses casos, o recém-nascido deve ser investigado extensivamente para sífilis congênita, incluindo exames laboratoriais e de imagem, além da análise do líquor.
A sífilis congênita é uma doença grave, evitável e com alto impacto na saúde pública. O manejo adequado da gestante com sífilis é crucial para prevenir a transmissão vertical. A avaliação do tratamento materno como "adequado" ou "inadequado" é o pilar para a conduta no recém-nascido. Critérios como a elevação do VDRL materno após o tratamento ou a ausência de queda de duas diluições indicam falha terapêutica ou reinfecção, classificando o tratamento como inadequado. Quando o tratamento materno é considerado inadequado, o recém-nascido deve ser submetido a uma investigação completa para sífilis congênita, mesmo que assintomático. Isso inclui VDRL sérico do RN, hemograma completo, radiografia de ossos longos e análise do líquor. A glicemia é um exame de rotina que pode ser solicitado, mas não é específico para sífilis. A MHA-TP não é útil no RN, pois detecta anticorpos IgG maternos que podem atravessar a placenta. O tratamento da sífilis congênita é feito com penicilina, e a escolha do esquema (dose única ou prolongado) depende dos achados da investigação. A prevenção primária, com o diagnóstico e tratamento precoce da sífilis na gestação e de seus parceiros, é a medida mais eficaz para erradicar a sífilis congênita.
O tratamento é considerado inadequado se a paciente não recebeu penicilina benzatina, se o tratamento foi incompleto, se houve reinfecção, se o parceiro não foi tratado ou se o VDRL da puérpera não caiu duas diluições após o tratamento ou subiu.
O VDRL de cordão pode estar contaminado com sangue materno, resultando em falsos positivos. O VDRL sérico do recém-nascido reflete melhor a exposição e infecção do bebê, sendo mais confiável para a avaliação diagnóstica.
A investigação inclui VDRL sérico do RN, hemograma completo, radiografia de ossos longos e análise do líquor (celularidade, glicorraquia, proteinorraquia e VDRL). Outros exames podem ser solicitados conforme a clínica.
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