Sepse: A Importância do Tratamento na Primeira Hora

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 19 anos, com disúria, polaciúria e urgência miccional, foi tratada, inicialmente, com sintomáticos, com melhora parcial. Após alguns dias, evoluiu com calafrios e febre, dores lombares e queda do estado geral. Poucas horas depois, a paciente evoluiu com sonolência e ausência de urina. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Considerando que atrasos no tratamento da sepse aumentam intensamente a mortalidade, o diagnóstico precoce e a introdução de antibioticoterapia empírica na 1ª hora é essencial para uma evolução favorável.
  2. B) Expansão volêmica, coleta de culturas, dosagem do lactato sérico e início da antibioticoterapia são metas das primeiras 6 horas da sepse.
  3. C) Trata-se de choque séptico, necessitando associar drogas vasoativas e internação em UTI.
  4. D) Exames como análise de rotina de urina e urocultura são sempre obrigatórios para fechar diagnóstico de infecção do trato urinário.

Pérola Clínica

Suspeita de sepse → Iniciar o pacote da 1ª hora (culturas, lactato, ATB de amplo espectro, fluidos) é crucial para reduzir a mortalidade.

Resumo-Chave

A sepse é uma emergência médica tempo-dependente. Atrasos na administração de antibióticos de amplo espectro após o reconhecimento da sepse estão diretamente associados ao aumento da mortalidade. As diretrizes da 'Surviving Sepsis Campaign' enfatizam a aplicação de um pacote de medidas na primeira hora.

Contexto Educacional

A sepse é definida como uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. É uma das principais causas de mortalidade em todo o mundo, e seu reconhecimento e tratamento precoces são fundamentais para um desfecho favorável. Infecções do trato urinário, como a pielonefrite, são focos comuns que podem evoluir para sepse e choque séptico. O diagnóstico baseia-se na suspeita ou confirmação de uma infecção associada a sinais de disfunção orgânica aguda, como alteração do estado mental, taquipneia, hipotensão, oligúria ou aumento do lactato sérico. O lactato é um marcador importante de hipoperfusão tecidual e seu nível está correlacionado com a mortalidade. O manejo da sepse é uma emergência médica tempo-dependente. As diretrizes da 'Surviving Sepsis Campaign' recomendam a implementação de um 'pacote de 1 hora'. Este pacote inclui a coleta de culturas, a dosagem de lactato, a administração de antibióticos de amplo espectro e a ressuscitação volêmica com cristaloides. Cada hora de atraso na administração de antibióticos em pacientes com choque séptico aumenta a mortalidade, ressaltando a importância da ação imediata.

Perguntas Frequentes

Quais são os componentes do pacote de manejo da sepse na primeira hora?

O pacote da primeira hora inclui: medir o nível de lactato, obter hemoculturas antes de administrar antibióticos, administrar antibióticos de amplo espectro, iniciar a rápida administração de 30 mL/kg de cristaloide para hipotensão ou lactato ≥ 4 mmol/L, e aplicar vasopressores se o paciente estiver hipotenso durante ou após a ressuscitação volêmica para manter uma PAM ≥ 65 mmHg.

Qual a conduta inicial para um paciente com sepse e hipotensão?

A conduta inicial para a hipotensão induzida pela sepse é a ressuscitação volêmica agressiva com fluidos cristaloides intravenosos, na dose de 30 mL/kg de peso ideal, administrados em até 3 horas. A resposta à terapia com fluidos deve ser continuamente reavaliada.

Como diferenciar sepse de choque séptico?

Choque séptico é um subgrupo da sepse com disfunção circulatória e metabólica mais profunda. É definido clinicamente pela necessidade de vasopressores para manter uma pressão arterial média (PAM) ≥ 65 mmHg E um nível de lactato sérico > 2 mmol/L, apesar da ressuscitação volêmica adequada.

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