SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Durante o horário de almoço da sua Unidade Básica de Saúde, você e um colega médico de outra equipe de saúde da família encontram-se na copa almoçando. Você tem percebido que nos últimos meses ele tem ficado mais isolado e menos comunicativo. A enfermeira e os agentes de saúde da equipe dele, além dos pacientes, também relatam que têm notado uma mudança na personalidade do seu colega. Levando em consideração a preocupação de todos em relação ao seu colega, você se aproxima e pergunta como ele tem estado. Sem rodeios, seu colega refere: "Não tenho visto muito sentido na vida, sabe? Tenho estado constantemente cansado e sem esperança de que as coisas irão melhorar daqui para frente. Saí de um relacionamento há pouco tempo e acho que ela era a única pessoa que se importava comigo nesse mundo. Eu acho que, para mim, já deu. Eu peguei algumas ampolas de anestésico na sala de procedimentos na semana passada e levei para casa. Todo dia, antes de vir para o trabalho, eu fico olhando para elas e pensando se irei, ou não, para o trabalho. Eu acho que essa semana é minha última". Assinale a alternativa que corresponde à melhor conduta a ser tomada diante do relato acima:
Ideação suicida + Plano estruturado + Meio disponível = Emergência Psiquiátrica; nunca deixe o paciente sozinho.
Diante de um paciente com plano suicida estruturado e acesso a meios letais, a conduta deve ser imediata, garantindo a segurança através de acompanhamento constante e encaminhamento para serviço de urgência.
O suicídio entre profissionais de saúde, especialmente médicos, é uma preocupação crescente devido às altas cargas de estresse, acesso a meios letais e estigma em buscar ajuda. O caso descreve um quadro clássico de depressão grave com sintomas de desesperança e anedonia, culminando em planejamento suicida. Na abordagem de qualquer paciente com ideação suicida, o médico deve perguntar diretamente sobre o plano e os meios. Contrário ao mito popular, perguntar sobre suicídio não 'induz' o ato, mas sim oferece uma oportunidade de alívio e intervenção. A conduta ética e técnica exige que, uma vez identificado o risco alto, o médico deve quebrar o sigilo (se necessário para salvar a vida) e garantir que o paciente receba cuidados intensivos imediatos, priorizando a vida sobre qualquer outra formalidade administrativa ou ambulatorial.
A ideação suicida pode variar de pensamentos passivos sobre a morte até planos detalhados. O risco iminente é caracterizado pela presença de um plano estruturado (como, quando e onde), acesso imediato a meios letais (armas, medicamentos, substâncias) e a intenção clara de executar o ato em curto prazo. No caso clínico, o colega médico possui o plano, os meios (anestésicos) e uma data provável ('esta semana'), o que classifica a situação como uma emergência médica absoluta.
A rede de apoio (família, amigos, colegas) é fundamental para a segurança do paciente. Em situações de alto risco, o paciente nunca deve ser deixado sozinho. A rede de apoio deve ser mobilizada para garantir a supervisão 24 horas e auxiliar no transporte seguro até um serviço de saúde. No entanto, a responsabilidade final pela segurança e pelo encaminhamento é do profissional que identificou o risco, não devendo ser delegada inteiramente a leigos sem a garantia de que a intervenção ocorrerá.
O encaminhamento à urgência e emergência justifica-se pela necessidade de uma avaliação psiquiátrica especializada imediata e, frequentemente, de internação protetiva. Em um serviço de urgência, é possível realizar a contenção ambiental (retirada de meios letais) e iniciar intervenções farmacológicas ou psicoterapêuticas intensivas sob observação. Agendar consultas ambulatoriais (opções A e D) é insuficiente para conter o risco de um ato que pode ocorrer a qualquer momento.
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