AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020
Paciente masculino 41 anos, vem à primeira consulta, trazendo resultados de exames pedidos por outro médico. Está assintomático, mas acha que precisa tomar medicamentos para não acabar como seu pai, que faleceu de infarto aos 70 anos no mês passado. Trabalha como motorista de ônibus, não costuma fazer atividade física. Parou de fumar há 3 meses e conta que nos dias de folga bebe socialmente. Apresenta: Pressão Arterial:140/86. Altura:1,72m e peso:84kg; Glicemia de jejum = 117; Colesterol total: 280; HDL: 60. Escore de Framingham: 6,6%. Considerando as características clínicas acima descritas, analise se cada afirmativa é verdadeira (V) ou falsa (F): I) Independentemente da motivação para a mudança de estilo de vida, cumpre indicar, na consulta de hoje, medidas para que saia do sedentarismo, perca peso, reduza consumo de sal e gorduras e aumente consumo de legumes, verduras e frutas. II) Por já ter completado três meses sem fumar, o risco de infarto reduziu ao mesmo de quem nunca fumou. III) Como ele bebe socialmente, não há necessidade de investigação adicional, já que este fator não deve ter relação com o risco cardiovascular do paciente. IV) Especificamente para evitar a progressão de pré-diabetes para diabetes, a redução sustentada de peso, a saída do sedentarismo e as mudanças alimentares são mais efetivas do que iniciar Metformina. V) Por ter cessado recentemente o tabagismo, é particularmente importante discutir estratégias de prevenção de recaída. Escolha a alternativa com a sequência correta de verdadeira (V) ou falsa (F).
Risco cardiovascular elevado → Mudanças de estilo de vida são a base, mas a adesão depende de abordagem individualizada e prevenção de recaída em tabagismo.
O manejo do risco cardiovascular envolve uma abordagem multifatorial, com foco em mudanças de estilo de vida para hipertensão, dislipidemia e pré-diabetes. A cessação do tabagismo é crucial, mas o risco não se normaliza rapidamente, e a prevenção de recaída é essencial.
O paciente apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular, incluindo hipertensão arterial (140/86 mmHg), sobrepeso (IMC 28,3 kg/m²), pré-diabetes (glicemia de jejum 117 mg/dL), dislipidemia (colesterol total 280 mg/dL, HDL 60 mg/dL), histórico familiar de doença coronariana precoce e tabagismo prévio. O Escore de Framingham de 6,6% indica um risco intermediário para eventos cardiovasculares em 10 anos, mas a presença de múltiplos fatores e o histórico familiar elevam a preocupação. A abordagem inicial deve ser abrangente, focando na modificação do estilo de vida. Isso inclui incentivar a perda de peso, a prática de atividade física regular, a adoção de uma dieta saudável com redução de sal e gorduras saturadas, e aumento do consumo de frutas e vegetais. A motivação do paciente, embora importante para a adesão, não impede a indicação dessas medidas. A cessação do tabagismo é o fator de maior impacto na redução do risco cardiovascular, mas o risco não se normaliza em apenas três meses, exigindo vigilância e estratégias de prevenção de recaída. Para o pré-diabetes, as intervenções no estilo de vida são comprovadamente mais eficazes do que a metformina na prevenção da progressão para diabetes tipo 2. O consumo de álcool, mesmo que social, deve ser avaliado em relação ao risco cardiovascular e à quantidade, pois pode influenciar a pressão arterial e o perfil lipídico. É crucial discutir a prevenção de recaída do tabagismo, pois os primeiros meses após a cessação são críticos para a manutenção da abstinência e a redução contínua do risco.
As principais intervenções incluem dieta saudável (rica em frutas, vegetais, baixa em sal e gorduras saturadas), prática regular de atividade física, manutenção de peso saudável, cessação do tabagismo e consumo moderado de álcool para reduzir o risco cardiovascular.
Embora os benefícios da cessação do tabagismo sejam imediatos, o risco de infarto e AVC leva anos para se aproximar dos níveis de não-fumantes, geralmente 5 a 15 anos, dependendo da duração e intensidade do tabagismo prévio.
Não. Para pré-diabetes, as mudanças intensivas no estilo de vida (dieta e exercício) são mais eficazes na prevenção da progressão para diabetes tipo 2 do que a metformina, que é considerada para casos específicos ou falha das medidas não farmacológicas.
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