HIV em Recém-Nascidos: Profilaxia e Cuidados Essenciais

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um médico de família é chamado para assistir ao nascimento e acompanhar o crescimento do filho de uma mulher soropositiva para o HIV. A gestante fez terapia antirretroviral combinada, e a carga viral com 38 semanas gestacionais era < 1000 cópias/mL.Nesse caso clínico, o médico deveráI recomendar a administração de AZT e Nevirapina ao recém-nascido a partir da 2.ª hora de vida.II contraindicar o aleitamento materno.III administrar sulfametoxazol-trimetropim a partir da 6.ª semana de vida até a definição do diagnóstico de infecção, como profilático da infecção por Pneumocistis carinii.IV recomendar a vacinação conforme o calendário do PNI até a criança completar os 4 anos de idade, independentemente de ela ter sido infectada pelo HIV.Assinale a opção correta.

Alternativas

  1. A) Apenas o item I está correto.
  2. B) Apenas os itens II e IV estão corretos.
  3. C) Apenas os itens II e III estão corretos.
  4. D) Apenas os itens III e IV estão corretos.

Pérola Clínica

RN de mãe HIV+ com CV < 1000 cópias/mL: AZT por 4 semanas, contraindicar aleitamento, profilaxia PCP com SMX-TMP a partir da 6ª semana.

Resumo-Chave

A profilaxia antirretroviral para o recém-nascido e a profilaxia para Pneumocystis jirovecii são cruciais na prevenção da infecção e suas complicações. O aleitamento materno é contraindicado no Brasil para mães HIV positivas, independentemente da carga viral, devido ao risco de transmissão.

Contexto Educacional

O manejo do recém-nascido exposto ao HIV é um pilar fundamental na prevenção da transmissão vertical. A profilaxia antirretroviral neonatal, geralmente com zidovudina (AZT), deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas de vida, e sua duração e esquema podem variar conforme a carga viral materna e o uso de terapia antirretroviral durante a gestação. A profilaxia para infecções oportunistas, como a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP), é igualmente crucial, sendo o sulfametoxazol-trimetoprim o medicamento de escolha, iniciado a partir da 6ª semana de vida até a definição do status sorológico da criança. A contraindicação do aleitamento materno é uma medida essencial no Brasil para evitar a transmissão pós-natal do HIV, sendo a fórmula infantil a alternativa recomendada. A vacinação segue o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI), com atenção especial para vacinas de vírus vivos atenuados (como BCG e rotavírus), que podem ser contraindicadas em crianças infectadas e imunossuprimidas. A avaliação cuidadosa do status imunológico da criança é necessária para a administração segura dessas vacinas. O acompanhamento multidisciplinar e a adesão rigorosa às diretrizes são vitais para garantir a saúde do recém-nascido e reduzir as taxas de transmissão vertical do HIV. A educação dos pais sobre a importância da adesão ao tratamento e às consultas de acompanhamento é um fator determinante para o sucesso da profilaxia e do manejo a longo prazo.

Perguntas Frequentes

Qual a profilaxia antirretroviral padrão para o recém-nascido de mãe HIV positiva?

A profilaxia padrão para recém-nascidos de mães HIV positivas com carga viral indetectável ou < 1000 cópias/mL é o AZT oral por 4 semanas. A Nevirapina é adicionada em casos de alto risco de transmissão.

Quando iniciar a profilaxia para Pneumocystis jirovecii em crianças expostas ao HIV?

A profilaxia para Pneumocystis jirovecii com sulfametoxazol-trimetoprim deve ser iniciada a partir da 6ª semana de vida em crianças expostas ao HIV, mantida até a exclusão da infecção ou conforme a contagem de CD4 se a criança for infectada.

Quais são as recomendações sobre aleitamento materno para mães HIV positivas?

No Brasil, o aleitamento materno é contraindicado para mães HIV positivas, mesmo com carga viral indetectável, devido ao risco de transmissão do vírus. Recomenda-se o uso de fórmula infantil.

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