Queimaduras Pediátricas: Manejo de Emergência e Erros Comuns

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024

Enunciado

A incidência de queimaduras diminuiu nas últimas décadas, em virtude das medidas de prevenção. Crianças de até cinco anos pertencem ao grupo de maior risco, sendo os incêndios a principal causa de morte relacionada a queimaduras em crianças. Dentre as alternativas a seguir, indique aquela que está incorreta:

Alternativas

  1. A) Se o paciente tiver recebido uma ou nenhuma dose da vacina antitetânica, aplicar imunoglobulina antitetânica e imunização antitetânica seriada.
  2. B) Recomenda-se hospitalização das crianças com queimaduras elétricas/químicas e com queimaduras de segundo grau, que acometam mais de 10% da superfície corpórea.
  3. C) Queimaduras por cigarro, queimaduras com líquido escaldante e imersão (limites bem definidos na extremidade) sugerem lesões intencionais e devem ser notificadas.
  4. D) Nas queimaduras químicas extensas, deve-se remover a substância e irrigar com grande quantidade de água gelada por pelo menos 30 minutos.
  5. E) Deve-se instituir acesso venoso e ressuscitação hídrica em superfície corpórea queimada (SCQ) maior de 15% ou menos em casos com evidências de inalação de fumaça.

Pérola Clínica

Queimaduras químicas extensas → Remover substância e irrigar com água em temperatura ambiente (não gelada) por ≥ 30 min.

Resumo-Chave

A irrigação de queimaduras químicas extensas deve ser feita com água em temperatura ambiente, e não gelada, para evitar hipotermia e vasoconstrição, que podem piorar a lesão tecidual. A remoção da substância e a irrigação prolongada são cruciais para minimizar o dano.

Contexto Educacional

As queimaduras pediátricas representam uma causa significativa de morbimortalidade em crianças, sendo as de até cinco anos o grupo de maior risco. A prevenção é a medida mais eficaz, mas o manejo adequado em emergências é crucial. A avaliação inicial deve incluir a extensão e profundidade da queimadura, além de sinais de lesão por inalação, que podem indicar gravidade. O tratamento inicial envolve a remoção da fonte de calor ou agente químico e a avaliação da necessidade de ressuscitação hídrica, especialmente em SCQ > 15% ou com lesão por inalação. A profilaxia antitetânica é fundamental, seguindo as diretrizes para imunização e uso de imunoglobulina. Queimaduras com características atípicas, como por cigarro ou imersão com limites definidos, devem levantar suspeita de abuso e ser notificadas às autoridades competentes. No caso de queimaduras químicas extensas, a conduta correta é remover a substância e irrigar a área afetada com grande quantidade de água em temperatura ambiente por pelo menos 30 minutos. O uso de água gelada é contraindicado, pois pode induzir hipotermia e vasoconstrição, agravando a lesão tecidual e dificultando a remoção do agente químico, o que pode piorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais as indicações de hospitalização para crianças queimadas?

Hospitalização é recomendada para queimaduras elétricas/químicas, queimaduras de segundo grau > 10% SCQ, queimaduras de terceiro grau, lesões por inalação, queimaduras em áreas especiais (face, mãos, pés, períneo), e suspeita de abuso infantil.

Como deve ser a profilaxia antitetânica em queimaduras?

Se o paciente tiver recebido uma ou nenhuma dose da vacina antitetânica, deve-se aplicar imunoglobulina antitetânica e iniciar o esquema de imunização antitetânica seriada. A avaliação do status vacinal é crucial.

Por que queimaduras por imersão sugerem lesões intencionais?

Queimaduras por imersão, especialmente com limites bem definidos nas extremidades (como 'luva' ou 'meia'), são altamente sugestivas de abuso infantil, pois indicam que a criança foi forçada a permanecer em contato com o agente térmico.

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