CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2025
Paciente do sexo masculino, 3 anos, 14kg, é trazido pela mãe ao pronto socorro referindo que a criança se queimou com água fervente ao puxar o cabo de uma panela que estava no fogão, há 30 minutos. Ao exame físico, a paciente apresenta choro forte e fascies de dor, com áreas queimadas com formação de bolhas, muitas delas já estouradas, acometendo hemiface e hemicrânio à esquerda, ombro e braço esquerdos, dorso do tórax e região lombar. Sobre o atendimento inicial deste paciente, assinale a alternativa INCORRETA:
Queimadura pediátrica >10% SCQ = internação. Colóides contraindicados nas primeiras 24h devido a ↑ extravasamento e edema.
Em queimaduras graves, especialmente em crianças, a permeabilidade capilar aumenta significativamente nas primeiras 24 horas. O uso precoce de colóides pode agravar o edema intersticial, piorando o quadro e aumentando o risco de síndrome compartimental, por isso são evitados nesse período inicial.
O manejo de queimaduras em crianças é um desafio clínico que exige conhecimento específico devido às particularidades fisiológicas pediátricas. A avaliação da superfície corporal queimada (SCQ) é crucial para determinar a gravidade e a necessidade de internação, sendo a 'Regra dos Nove' adaptada ou a tabela de Lund-Browder as ferramentas mais utilizadas. Queimaduras acima de 10% da SCQ em crianças são consideradas graves e geralmente requerem internação hospitalar para monitoramento e tratamento adequado. A reposição volêmica é a pedra angular do tratamento inicial de queimaduras extensas, visando prevenir o choque hipovolêmico. A fórmula de Parkland é comumente empregada, calculando o volume de cristaloides (geralmente Ringer Lactato) a ser infundido nas primeiras 24 horas, com metade nas primeiras 8 horas e a outra metade nas 16 horas seguintes, além do volume de manutenção. A monitorização do débito urinário é essencial para guiar os ajustes da infusão. É fundamental evitar o uso de colóides nas primeiras 24 horas pós-queimadura. Devido ao aumento da permeabilidade capilar, os colóides extravasam para o interstício, agravando o edema e aumentando o risco de complicações como a síndrome compartimental. Após as primeiras 24 horas, quando a permeabilidade capilar tende a normalizar, os colóides podem ser considerados em alguns casos para otimizar a reposição volêmica.
Crianças com queimaduras de segundo ou terceiro grau que acometem mais de 10% da superfície corporal total (SCQ), queimaduras de face, mãos, pés, genitália, períneo ou grandes articulações, queimaduras de terceiro grau em qualquer idade ou extensão, queimaduras elétricas, químicas, por inalação, ou em pacientes com comorbidades, devem ser internadas.
Em crianças, a 'Regra dos Nove' é adaptada, pois a cabeça e o pescoço representam uma porcentagem maior da SCQ em comparação com adultos (cerca de 18% para a cabeça em lactentes, diminuindo com a idade), enquanto as pernas representam menos. Tabelas específicas como a de Lund-Browder são mais precisas para diferentes faixas etárias.
Nas primeiras 24 horas após uma queimadura grave, ocorre um aumento significativo da permeabilidade capilar. Colóides administrados nesse período extravasam facilmente para o espaço intersticial, piorando o edema tecidual e o risco de síndrome compartimental, em vez de manter o volume intravascular.
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