Queimaduras Graves: Prioridade na Fluidoterapia Inicial

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 40 anos de idade é admitido à unidade de terapia intensiva devido a queimaduras graves, que cobrem aproximadamente 30% de sua superfície corporal. Há sinais de hipovolemia, dor intensa e sinais de inflamação sistêmica. A conduta para este paciente, no momento, deve incluir:

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia empírica de amplo espectro visando cobrir o alto risco de infecção
  2. B) Indicação de desbridamento cirúrgico das lesões acima de um centímetro de diâmetro
  3. C) Supressão da inflamação sistêmica por meio de antiinflamatórios, preferencialmente corticoides.
  4. D) Fluidoterapia agressiva com cristaloides e monitoramento intensivo de parâmetros da perfusão tecidual.

Pérola Clínica

Queimadura grave → prioridade é fluidoterapia agressiva com cristaloides e monitoramento de perfusão.

Resumo-Chave

Em queimaduras graves, a perda capilar massiva leva a choque hipovolêmico. A prioridade é a reposição volêmica com cristaloides para manter a perfusão orgânica, guiada por parâmetros clínicos como débito urinário.

Contexto Educacional

Pacientes com queimaduras graves, cobrindo uma superfície corporal significativa, desenvolvem uma resposta inflamatória sistêmica maciça que leva a um aumento generalizado da permeabilidade capilar. Isso resulta em um extravasamento maciço de plasma para o espaço intersticial, causando edema e hipovolemia intravascular, culminando em choque hipovolêmico por queimadura. A dor intensa também contribui para a instabilidade hemodinâmica. A conduta inicial e mais crítica para esses pacientes é a fluidoterapia agressiva com cristaloides, como o Ringer Lactato, para restaurar o volume intravascular e manter a perfusão tecidual. A quantidade de fluido é calculada pela fórmula de Parkland, e a administração deve ser rigorosamente monitorada por parâmetros como débito urinário (alvo de 0,5-1 mL/kg/h em adultos), frequência cardíaca, pressão arterial e estado de consciência. Outras medidas, como antibioticoterapia empírica, desbridamento cirúrgico precoce ou uso de corticoides, não são as prioridades imediatas. Antibióticos não são indicados profilaticamente, e o desbridamento é realizado após a estabilização inicial. Corticoides são contraindicados devido aos efeitos imunossupressores e risco de infecção. O foco inicial é a estabilização hemodinâmica e a manutenção da perfusão orgânica.

Perguntas Frequentes

Qual a principal prioridade no manejo inicial de um paciente com queimaduras graves?

A principal prioridade é a ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides para combater o choque hipovolêmico resultante da perda de fluidos e edema capilar massivo.

Por que a fluidoterapia é tão crucial nas primeiras horas após uma queimadura grave?

Queimaduras extensas causam aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de plasma, levando a hipovolemia e risco de choque. A reposição precoce previne a disfunção orgânica.

Quais parâmetros devem ser monitorados para guiar a fluidoterapia em queimados?

O débito urinário (0,5-1 mL/kg/h em adultos), frequência cardíaca, pressão arterial, estado mental e sinais de perfusão periférica são cruciais para ajustar a taxa de infusão.

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