AVE Isquêmico Agudo: Controle da Pressão Arterial

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 70 anos, do sexo masculino, é levado ao pronto-socorro com perda da movimentação e fala. Era hipertenso em uso regular de Losartana 50 mg, duas vezes ao dia. Ao exame, apresentava BNF 2T, sem sopros, MVF sem RA, abdome normal, sonolência, PA: 190 x 105 mmHg, FC: 95 BPM, FR: 17 IRPM, saturação de O₂ 96%, glicemia capilar de 112 mg/dl. Escala de coma de Glasgow: 10. Hemiplegia direita completa e afasia motora, força preservada a esquerda, sem sinais de perda sensitiva. Aumento dos reflexos profundos à direita e Babinski. Pupilas iso e fotorreativas, nuca livre, demais pares cranianos normais. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o caso, a conduta recomendada quanto à pressão arterial é:

Alternativas

  1. A) iniciar metoprolol 50 mg via oral de 12 em 12 horas e associar a clonidina 0,1 mg a critério médico de quatro em quatro horas, com meta de PAS ≤ 120 mmHg.
  2. B) iniciar nitroprussiato 0,5 a 8 mg/kg/min, medir PA a cada 15 minutos por duas horas e, após, a cada 30 minutos, com meta de PAS entre 130 e 150 mmHg.
  3. C) fazer nifedipina 20 mg sublingual, de quatro em quatro horas, com meta de PAS menor que 180 mmHg.
  4. D) fazer captopril 25 mg sublingual, de duas em duas horas, até normalização da PAS entre 100 e 120 mmHg.

Pérola Clínica

AVE isquêmico agudo: PA > 220/120 mmHg (sem trombólise) ou > 185/110 mmHg (com trombólise) → reduzir PA com EV.

Resumo-Chave

No AVE isquêmico agudo, o controle da pressão arterial é crucial. Se o paciente não for candidato à trombólise, a PA só deve ser reduzida se for > 220/120 mmHg. Se for candidato à trombólise, a PA deve ser mantida abaixo de 185/110 mmHg para evitar complicações hemorrágicas e permitir a administração do trombolítico.

Contexto Educacional

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) isquêmico é uma das principais causas de morbimortalidade global, sendo a hipertensão arterial um dos seus maiores fatores de risco. O manejo inicial no pronto-socorro é crítico e inclui a avaliação rápida para trombólise e o controle adequado da pressão arterial, que é frequentemente elevada nesses pacientes. A compreensão das metas pressóricas e das opções terapêuticas é fundamental para otimizar o prognóstico do paciente. A fisiopatologia da hipertensão no AVE isquêmico envolve uma resposta autonômica ao estresse e à isquemia cerebral, visando manter a perfusão em áreas comprometidas. No entanto, níveis pressóricos muito elevados podem aumentar o risco de transformação hemorrágica e edema cerebral. O diagnóstico é clínico e confirmado por neuroimagem (tomografia de crânio sem contraste para excluir hemorragia), e o tempo de início dos sintomas é crucial para a elegibilidade à trombólise. O tratamento da hipertensão no AVE isquêmico deve ser individualizado. Para pacientes que não receberão trombólise, a PA só é tratada se exceder 220/120 mmHg. Para aqueles que são candidatos à trombólise, a PA deve ser reduzida e mantida abaixo de 185/110 mmHg antes e durante o procedimento. Agentes endovenosos como labetalol, nicardipina ou nitroprussiato são as escolhas preferenciais devido à sua titulação rápida e previsível. O prognóstico depende da extensão da lesão, tempo de tratamento e controle de comorbidades.

Perguntas Frequentes

Qual a meta de pressão arterial em um paciente com AVE isquêmico agudo que não receberá trombólise?

Em pacientes com AVE isquêmico agudo que não são candidatos à trombólise, a pressão arterial geralmente só deve ser reduzida se a pressão sistólica for > 220 mmHg ou a diastólica > 120 mmHg, para evitar hipoperfusão da área de penumbra.

Quais medicamentos são indicados para controle da PA em AVE isquêmico agudo?

Para o controle da PA em AVE isquêmico agudo, especialmente se houver indicação de trombólise ou PA muito elevada, são preferidos agentes endovenosos de ação rápida e titulável, como labetalol, nicardipina ou nitroprussiato de sódio.

Por que a redução agressiva da PA é contraindicada no AVE isquêmico agudo?

A redução agressiva da pressão arterial pode comprometer a perfusão cerebral em áreas isquêmicas, especialmente na zona de penumbra, onde o fluxo sanguíneo já está comprometido. Isso pode levar à expansão da área infartada e piora do déficit neurológico.

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