UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021
Primigesta com idade gestacional de 33 semanas, deu entrada no pronto-socorro com queixa de cefaleia intensa e dor epigástrica, iniciados há 1 hora. Relatou ganho de peso de 6 kg no último mês. Ao exame, a altura uterina era de 32 cm, a frequência cardíaca fetal de 132 bpm, não havia dinâmica uterina, os membros inferiores, mãos e rosto estavam inchados. PA: 180 x 120 mmHg. A conduta que deve ser realizada neste caso, é:
Pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg, sintomas) em <34 semanas → Hidralazina EV, Sulfato de Magnésio, Betametasona e exames.
A paciente apresenta quadro de pré-eclâmpsia grave (PA 180x120 mmHg, cefaleia, dor epigástrica, edema, ganho de peso rápido). A conduta inicial inclui controle da pressão arterial com Hidralazina EV, prevenção de convulsões com Sulfato de Magnésio, e maturação pulmonar fetal com Betametasona, além de exames laboratoriais para avaliar a gravidade e planejar a interrupção da gravidez.
A pré-eclâmpsia grave é uma complicação hipertensiva da gravidez que se manifesta após 20 semanas de gestação, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria, ou hipertensão com sinais de disfunção orgânica. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, exigindo reconhecimento e manejo urgentes. A condição pode evoluir rapidamente para eclâmpsia, Síndrome HELLP e outras complicações graves. A fisiopatologia envolve uma disfunção endotelial generalizada e má adaptação placentária, resultando em vasoconstrição e isquemia de múltiplos órgãos. Os sinais de gravidade incluem pressão arterial muito elevada (≥ 160/110 mmHg), cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, e alterações laboratoriais como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas e creatinina. A suspeita clínica é crucial para o diagnóstico precoce. O tratamento da pré-eclâmpsia grave visa estabilizar a mãe e, se possível, prolongar a gestação para otimizar a vitalidade fetal. A conduta inclui o controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos intravenosos (como hidralazina ou labetalol), profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e, em gestações pré-termo (<34 semanas), a administração de corticosteroides (betametasona) para maturação pulmonar fetal. A interrupção da gravidez é o tratamento definitivo, sendo indicada após a estabilização materna e, se possível, após a maturação pulmonar fetal, ou imediatamente em casos de deterioração clínica.
A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas ocasiões, com intervalo de 15 minutos, e/ou presença de sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, edema pulmonar, oligúria, ou alterações laboratoriais como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas ou creatinina sérica.
O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, reduzindo o risco de eclâmpsia e de complicações neurológicas maternas e fetais, sendo administrado em dose de ataque seguida de manutenção.
A interrupção da gravidez é indicada na pré-eclâmpsia grave quando a idade gestacional é ≥ 34 semanas ou em qualquer idade gestacional se houver deterioração materna ou fetal, como eclâmpsia, Síndrome HELLP, edema pulmonar, descolamento prematuro de placenta, ou sofrimento fetal. Antes de 34 semanas, tenta-se estabilizar a mãe e realizar a maturação pulmonar fetal antes da interrupção.
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