IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022
Flávia, 29 anos, GIP0, gestante com 37 semanas, assintomática. Comparece na consulta no pré-natal de baixo risco. Ao exame PA 150x90mmHg e edema de membros inferiores até raiz da coxa 2+/4. Restante do exame normal. Pesquisa de proteinúria em fita com 3+/4. Qual medida abaixo é capaz de interferir positivamente no curso dessa doença?
Pré-eclâmpsia com 37 semanas ou mais → Parto é a conduta definitiva.
Em gestantes com pré-eclâmpsia a termo (≥ 37 semanas), a interrupção da gestação é a única medida que interfere positivamente no curso da doença, pois a placenta é a fonte dos fatores antiangiogênicos que causam a patologia. Medidas como repouso, diuréticos ou dieta hipossódica não tratam a causa subjacente e podem até ser prejudiciais.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação, ou hipertensão com disfunção de órgão-alvo. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, afetando cerca de 2-8% das gestações. Sua etiologia está ligada à placentação anormal, resultando em isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos que causam disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico baseia-se na elevação da pressão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4h de intervalo) e proteinúria (≥ 300 mg em 24h ou fita ≥ 2+). A presença de sinais de gravidade, como PA ≥ 160/110 mmHg, disfunção hepática, renal, neurológica ou hematológica, classifica a pré-eclâmpsia como grave. A suspeita deve surgir em qualquer gestante com hipertensão nova após 20 semanas. O tratamento definitivo da pré-eclâmpsia é o parto. Em gestações a termo (≥ 37 semanas), o parto é geralmente indicado após o diagnóstico, independentemente da presença de sinais de gravidade, para prevenir a progressão da doença e suas complicações. Antes do termo, o manejo é individualizado, buscando prolongar a gestação com monitoramento rigoroso, uso de anti-hipertensivos e sulfato de magnésio para prevenção de eclampsia, se houver indicação.
A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4h de intervalo, após 20 semanas de gestação) associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3 ou fita ≥ 2+). Na ausência de proteinúria, pode ser diagnosticada com disfunção de órgão-alvo materno.
O parto é a única medida curativa para a pré-eclâmpsia porque a placenta é o órgão responsável pela liberação de fatores que causam a disfunção endotelial sistêmica. A remoção da placenta interrompe a cascata fisiopatológica da doença.
Sinais de gravidade incluem PA ≥ 160/110 mmHg, trombocitopenia (< 100.000/mm³), insuficiência renal progressiva, disfunção hepática (transaminases elevadas), edema pulmonar, sintomas visuais ou cerebrais persistentes e dor epigástrica ou em quadrante superior direito.
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