Manejo Pós-IAM e Metas Terapêuticas em Diabéticos

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Homem de 64 anos foi atendido no pronto-socorro de um hospital que não possui serviço de hemodinâmica. Foi diagnosticado com infarto agudo do miocárdio (IAM) com supraelevação do segmento ST. Recebeu tratamento trombolítico com alteplase, apresentou resposta clínica e eletrocardiográfica (ECG pós-reperfusão sem anormalidades) e permaneceu sob monitorização. Encontrava-se assintomático e apresentava os seguintes dados vitais: FC 68bpm, FR 18ipm, SpO2 95% (ar ambiente), PA 136/84mmHg, quando foi observado o seguinte traçado eletrocardiográfico: O paciente é avaliado no ambulatório um ano após o IAM. Não apresenta queixas. É portador de diabetes melito tipo 2. Está em uso de AAS 100mg/dia, clopidogrel 75mg/dia, metoprolol 50mg/dia, metformina 850mg duas vezes/dia e atorvastatina 80mg/dia. Ao exame físico, PA 110/70mmHg e FC 72bpm. O ecocardiograma atual revela hipocinesia da parede anterior média e apical, e a fração de ejeção do VE foi estimada em 47%. Exames de laboratório: glicemia de jejum 145mg/dL; HgA1c 8,7%; colesterol total 166mg/dL; HDL 34mg/dL; LDL 88mg/dL; creatinina 1,1mg/dL; potássio 4,5mEq/L. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INADEQUADA neste caso:

Alternativas

  1. A) Prescrever enalapril.
  2. B) Prescrever ezetimiba.
  3. C) Substituir metformina por dapagliflozina.
  4. D) Suspender clopidogrel.

Pérola Clínica

Pós-IAM + FEVE < 50% → IECA/BRA + Betabloqueador + Estatina (LDL < 50) + SGLT2i.

Resumo-Chave

Em pacientes pós-IAM com disfunção ventricular e DM2, o manejo envolve controle rigoroso de LDL (< 50 mg/dL), bloqueio neuro-humoral e adição de SGLT2i, sem necessariamente suspender a metformina.

Contexto Educacional

O manejo do paciente pós-infarto agudo do miocárdio (IAM) evoluiu para uma abordagem multifatorial que visa a prevenção de novos eventos isquêmicos e a progressão da insuficiência cardíaca. A tríade clássica de betabloqueadores, antiagregantes e estatinas agora é complementada pelo bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA ou BRA) e, mais recentemente, pelos inibidores da SGLT2, especialmente em pacientes com disfunção ventricular (FEVE < 50%). Neste cenário clínico, a dislipidemia deve ser tratada de forma agressiva. O uso de estatinas de alta potência é o primeiro passo, mas a associação com ezetimiba é mandatória quando os níveis de LDL permanecem acima de 50 mg/dL. Além disso, o controle do Diabetes Mellitus tipo 2 deve priorizar drogas com benefício cardiovascular comprovado, como os SGLT2i e os análogos de GLP-1, mantendo a metformina como terapia de base, a menos que haja contraindicação por taxa de filtração glomerular reduzida.

Perguntas Frequentes

Qual a meta de LDL para pacientes pós-IAM de muito alto risco?

De acordo com as diretrizes atuais da SBC e ESC, pacientes em prevenção secundária após um evento cardiovascular (como IAM) são classificados como de muito alto risco. A meta de LDL-c deve ser inferior a 50 mg/dL. Se o paciente já utiliza estatina de alta potência (como Atorvastatina 80mg) e o LDL permanece acima da meta (88 mg/dL no caso), a adição de ezetimiba é a conduta recomendada.

Quando suspender o Clopidogrel após um IAM?

Em pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio e foram submetidos a tratamento (seja fibrinolítico ou angioplastia), a recomendação padrão para a dupla antiagregação plaquetária (DAPT) é de 12 meses. Após esse período, se não houver alto risco isquêmico residual ou baixo risco de sangramento que justifique a extensão, mantém-se apenas o AAS (monoterapia) indefinidamente.

O SGLT2i deve substituir a metformina no paciente com IC e DM2?

Não necessariamente. Os inibidores da SGLT2 (como dapagliflozina) têm indicação formal em pacientes com insuficiência cardíaca (mesmo com FEVE levemente reduzida) e DM2 devido aos benefícios em redução de hospitalização e mortalidade. No entanto, se o controle glicêmico não está na meta (HbA1c 8,7%), a metformina deve ser mantida e o SGLT2i adicionado ao esquema, não substituindo a droga base.

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