Politraumatizado Grave: Conduta e Tomografia de Corpo Inteiro

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 25a, vítima de colisão frontal de carro a 100 km/hora, ocupante no banco dianteiro e com cinto de segurança. Atendido pelo SAMU no local. Exame físico: PA= 130x80 mmHg; FC= 110 bpm, FR= 30 irpm, oximetria de pulso (máscara de oxigênio 10 litros/min)= 90%; neurológico: Glasgow= 5, an socoria (direita maior que esquerda). Foram realizados intubação orotraqueal, 1.000 mL de solução de Ringer com lactato e transferido para um hospital. Na admissão realizaram-se: exames radiográficos simples do tórax e de bacia e FAST (focused assessment with sonography for trauma), na sala de emergência, sendo respectivamente: sem alterações e negativo.A CONDUTA A SEGUIR É:

Alternativas

  1. A) Lavado peritoneal diagnóstico.
  2. B) Tomografia de coluna cervical.
  3. C) Tomografia computadorizada de crânio.
  4. D) Tomografia computadorizada de corpo inteiro.

Pérola Clínica

Politraumatizado com Glasgow baixo e anisocoria → TC corpo inteiro para avaliação completa e rápida.

Resumo-Chave

Em um paciente politraumatizado com mecanismo de alta energia, Glasgow baixo (5) e sinais neurológicos focais (anisocoria), a Tomografia Computadorizada de corpo inteiro é a conduta mais adequada para identificar rapidamente todas as lesões, incluindo as intracranianas e outras lesões ocultas, mesmo com FAST negativo.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação e tratamento das lesões que ameaçam a vida. Em casos de trauma de alta energia, como colisões frontais a 100 km/h, a probabilidade de múltiplas lesões graves é alta, mesmo que o exame inicial ou o FAST não revelem alterações óbvias. A presença de Glasgow 5 e anisocoria (direita maior que esquerda) indica um trauma cranioencefálico grave com sinais de herniação cerebral, exigindo avaliação e intervenção neurocirúrgica urgentes. No entanto, a estabilização inicial (via aérea, respiração, circulação) é primordial. A intubação orotraqueal e a reposição volêmica já foram realizadas, mas a investigação diagnóstica precisa ser abrangente. A Tomografia Computadorizada de corpo inteiro (TC de corpo inteiro) é a ferramenta diagnóstica de escolha para pacientes politraumatizados hemodinamicamente estáveis com alto risco de lesões múltiplas e ocultas. Ela permite a identificação rápida de lesões intracranianas, cervicais, torácicas, abdominais e pélvicas, otimizando o tempo para o tratamento definitivo e melhorando o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quando indicar a tomografia computadorizada de corpo inteiro em pacientes traumatizados?

A TC de corpo inteiro é indicada em pacientes politraumatizados hemodinamicamente estáveis com mecanismo de trauma de alta energia, Glasgow baixo, múltiplas lesões ou suspeita de lesões ocultas, para uma avaliação rápida e abrangente.

Qual a importância da anisocoria em um paciente com trauma cranioencefálico?

A anisocoria, especialmente com uma pupila dilatada e não reativa, é um sinal de herniação cerebral iminente ou lesão de massa intracraniana, indicando aumento da pressão intracraniana e necessidade de intervenção urgente.

O que significa um FAST negativo em um politraumatizado?

Um FAST negativo significa que não há líquido livre significativo nas cavidades abdominal, pericárdica ou pleural no momento do exame. Contudo, não exclui lesões de órgãos sólidos ou retroperitoneais e não substitui a necessidade de investigação adicional em pacientes de alto risco.

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