Placenta Prévia com Acretismo: Manejo e Conduta

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023

Enunciado

Paciente com 33 semanas de gestação, quartigesta com 3 cesáreas anteriores, previamente assintomática, procura o pronto socorro queixando-se de sangramento vaginal moderado. Sabidamente, possui placenta de inserção baixa centro-total com sinais de acretismo em região ístmica uterina. Não apresenta dinâmica uterina, feto ativo. Ao exame especular, conteúdo sanguinolento residual, sem sangramento ativo. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Resolução imediata da gestação por via alta, abdicando-se da corticoterapia.
  2. B) Corticoterapia, internação para controle clínico, cesárea eletiva após 36ª semana.
  3. C) Resolução da gestação por via alta, aguardando 48h da corticoterapia.
  4. D) Controle clínico domiciliar, retornar se novo episódio de sangramento.

Pérola Clínica

Placenta prévia + acretismo + sangramento em <34 sem → Corticoterapia, internação, cesárea eletiva >36 sem.

Resumo-Chave

Em casos de placenta prévia com acretismo e sangramento vaginal em gestação pré-termo (33 semanas), a conduta conservadora com corticoterapia para maturação pulmonar e internação para vigilância é preferível, visando prolongar a gestação até a viabilidade fetal e planejar a cesárea eletiva. A resolução imediata só é indicada em sangramento profuso ou instabilidade materna/fetal.

Contexto Educacional

A placenta prévia com acretismo placentário é uma condição obstétrica de alta morbimortalidade materna e fetal, cuja incidência tem aumentado devido ao crescimento das taxas de cesariana. Caracteriza-se pela implantação da placenta sobre ou próxima ao orifício interno do colo uterino (placenta prévia) associada à aderência anormalmente profunda do trofoblasto ao miométrio (acretismo). É crucial para residentes compreenderem a gravidade e o manejo adequado. A fisiopatologia envolve a ausência ou deficiência da decídua basal, permitindo que as vilosidades coriônicas invadam o miométrio. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por ultrassonografia no pré-natal, especialmente em gestantes com fatores de risco como cesáreas anteriores. Sangramento vaginal indolor no terceiro trimestre é o sintoma clássico, e a suspeita deve ser alta em pacientes com histórico de cirurgias uterinas e placenta de inserção baixa. O manejo é complexo e multidisciplinar. Em casos de sangramento moderado em gestação pré-termo, a conduta conservadora com internação, corticoterapia para maturação pulmonar fetal e vigilância é a mais adequada, visando prolongar a gestação até a viabilidade. A cesárea eletiva é geralmente programada entre 34 e 36 semanas, em centro de referência, com equipe multidisciplinar preparada para hemorragia maciça e histerectomia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de acretismo placentário?

Sinais de acretismo placentário podem ser detectados no ultrassom pré-natal, como perda da zona hipoecoica retroplacentária, lacunas vasculares e fluxo turbulento em Doppler. Clinicamente, suspeita-se em pacientes com placenta prévia e histórico de cirurgias uterinas.

Quando indicar corticoterapia antenatal?

A corticoterapia antenatal é indicada para gestantes entre 24 e 34 semanas com risco de parto prematuro nas próximas 7 dias, visando acelerar a maturação pulmonar fetal e reduzir a morbimortalidade neonatal.

Qual a diferença entre placenta prévia e acretismo?

Placenta prévia refere-se à implantação da placenta sobre ou muito próxima ao orifício interno do colo uterino, enquanto acretismo placentário é a aderência anormalmente profunda da placenta à parede uterina, podendo invadir o miométrio (increta) ou serosa (percreta).

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