HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2022
No ambulatório de uma paciente de 42 anos, com obesidade mórbida é agendada para uma cirurgia bariátrica. Qual das seguintes afirmações é verdadeira em relação ao manejo perioperatório deste tipo de paciente?
Obesidade mórbida: Circunferência cervical >40cm (mulher) ou >43cm (homem) = preditor de via aérea difícil.
O manejo perioperatório de pacientes com obesidade mórbida para cirurgia bariátrica exige atenção especial devido às alterações fisiológicas associadas à obesidade. A avaliação da via aérea é crítica, sendo a circunferência cervical um importante preditor de dificuldade de intubação. A dosagem de medicamentos e o manejo respiratório pós-operatório também diferem para otimizar a segurança do paciente.
O manejo perioperatório de pacientes com obesidade mórbida para cirurgia bariátrica é um cenário clínico complexo que exige conhecimento aprofundado das alterações fisiológicas associadas à obesidade. Esses pacientes apresentam um risco aumentado de complicações cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e de via aérea. A avaliação pré-operatória deve ser minuciosa, focando em comorbidades como apneia obstrutiva do sono, síndrome da obesidade-hipoventilação e doença cardíaca. A via aérea é uma das maiores preocupações, com a circunferência cervical sendo um preditor confiável de intubação difícil (mulheres >40 cm, homens >43 cm). O posicionamento adequado, a pré-oxigenação prolongada e a disponibilidade de equipamentos para via aérea difícil são cruciais. Além disso, as diretrizes de jejum pré-operatório são as mesmas para pacientes não obesos, mas o esvaziamento gástrico pode ser mais lento. A farmacocinética de muitos medicamentos é alterada na obesidade, exigindo ajustes de dose, como a succinilcolina que deve ser dosada pelo peso corporal total. No pós-operatório, a vigilância respiratória é primordial. O uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) pode reduzir a incidência de complicações pulmonares, como atelectasias e hipoxemia, sem aumentar o risco de deiscência anastomótica. Pacientes com SOH são particularmente vulneráveis à depressão respiratória e necessitam de monitoramento intensivo. Para residentes, dominar esses princípios é fundamental para garantir a segurança e o sucesso do procedimento bariátrico.
Pacientes obesos mórbidos frequentemente apresentam via aérea difícil devido ao excesso de tecido mole na orofaringe e pescoço, redução da complacência da parede torácica e diminuição da capacidade residual funcional. A circunferência cervical aumentada é um forte preditor de intubação difícil, exigindo preparo e técnicas específicas.
Pacientes com SOH possuem uma resposta ventilatória diminuída à hipercapnia e hipoxemia, tornando-os mais sensíveis aos efeitos depressores respiratórios dos anestésicos gerais e opioides. Isso aumenta o risco de hipoventilação e apneia pós-operatória, exigindo monitoramento rigoroso e ajuste das doses de medicamentos.
A succinilcolina, um relaxante muscular despolarizante, deve ser dosada com base no peso corporal total em pacientes obesos, e não na massa magra. Isso se deve ao seu grande volume de distribuição, que é proporcional ao peso corporal total, garantindo um relaxamento muscular adequado para a intubação.
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