CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 54 anos, será submetido à gastrectomia subtotal por adenocarcinoma de estômago. É diabético, hipertenso e faz uso de glibenclamida, losartana e AAS, além do uso crônico de prednisona para o tratamento de artrite reumatoide. Sobre os cuidados pré-operatórios deste paciente, assinale a alternativa INCORRETA:
Hipoglicemiantes orais suspensos pré-op; insulina NPH não é ideal para controle perioperatório.
Hipoglicemiantes orais devem ser suspensos no período perioperatório devido ao risco de hipoglicemia e dificuldade de controle glicêmico. O controle deve ser feito com insulina de ação rápida/regular, não NPH, que tem perfil de ação mais prolongado e imprevisível em situações agudas.
O manejo perioperatório de pacientes com comorbidades crônicas, como diabetes, hipertensão e artrite reumatoide em uso de corticoides, exige atenção meticulosa para minimizar riscos e otimizar resultados cirúrgicos. No caso do diabetes, a suspensão de hipoglicemiantes orais no dia da cirurgia é uma prática padrão para evitar hipoglicemia e permitir um controle glicêmico mais preciso com insulina. Contudo, a insulina NPH não é a escolha ideal para o controle glicêmico perioperatório, que demanda flexibilidade e ação rápida, sendo preferíveis as insulinas de ação rápida ou regular em esquema de 'sliding scale' ou infusão contínua. Para pacientes em uso crônico de prednisona, a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal é uma preocupação significativa. A interrupção abrupta ou a falha em fornecer uma 'dose de estresse' de corticoides (geralmente hidrocortisona intravenosa) pode precipitar uma crise adrenal aguda, uma emergência médica grave. Portanto, a substituição por hidrocortisona venosa é essencial. Quanto ao AAS, sua suspensão pré-operatória é necessária para reduzir o risco de sangramento excessivo, geralmente 7 dias antes. No entanto, em pacientes com alto risco trombótico, a profilaxia com heparina de baixo peso molecular é indicada para evitar eventos tromboembólicos durante a internação, sendo suspensa um período menor antes da cirurgia e reiniciada no pós-operatório. O manejo dos anti-hipertensivos, por sua vez, geralmente é mantido, com exceção de algumas classes que podem ser suspensas no dia da cirurgia dependendo do risco.
Hipoglicemiantes orais devem ser suspensos no dia da cirurgia e, em alguns casos, até 24-48h antes, devido ao risco de hipoglicemia e para facilitar o controle glicêmico com insulina de ação rápida ou regular.
Pacientes em uso crônico de prednisona devem receber hidrocortisona venosa no perioperatório (dose de estresse) para prevenir insuficiência adrenal aguda, pois a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal impede a resposta adequada ao estresse cirúrgico.
O AAS deve ser suspenso 7 dias antes da cirurgia devido ao risco de sangramento excessivo. Em pacientes com alto risco trombótico, pode ser considerada a ponte com heparina de baixo peso molecular, que tem meia-vida mais curta e pode ser suspensa mais próximo do procedimento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo