HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Secundigesta, 1 aborto há 5 anos, idade gestacional 38 semanas, tem diagnóstico de HIV desde a última gestação. No momento está em uso regular de Tenofovir, Lamivudina e Dolutegavir e tem carga viral de 600 cópias/ml, colhida com 34 semanas. Dá entrada na maternidade em trabalho de parto. Exame físico: AU 34 cm, BCF 140 bpm, dinâmica uterina presente, colo medianizado, esvaecido, dilatado para 5 cm, cefálico, bolsa íntegra, líquido claro com grumos. Tendo em vista as informações acima, assinale a alternativa correta em relação a assistência ao parto:
HIV gestante com CV > 50 cópias/mL (ou desconhecida) → Zidovudina IV no TP, mesmo em TARV; parto vaginal se CV < 1000 cópias/mL.
A profilaxia com Zidovudina intravenosa durante o trabalho de parto é crucial para gestantes com HIV e carga viral acima de 50 cópias/mL (ou desconhecida), independentemente do uso de TARV, para reduzir o risco de transmissão vertical. O parto vaginal é seguro se a carga viral for inferior a 1000 cópias/mL.
O manejo da gestante com HIV é um tema crucial na obstetrícia, visando principalmente a prevenção da transmissão vertical (TV) do vírus. A TV pode ocorrer durante a gestação, parto ou amamentação. No Brasil, as diretrizes recomendam uma abordagem multifacetada que inclui terapia antirretroviral (TARV) durante a gestação, profilaxia no parto e no recém-nascido, e inibição da amamentação. A taxa de TV tem diminuído significativamente com a implementação dessas medidas, mas ainda representa um desafio de saúde pública. Durante o trabalho de parto, a decisão sobre a via de parto e a necessidade de profilaxia adicional com Zidovudina intravenosa (AZT IV) depende da carga viral (CV) da gestante. Se a CV for inferior a 1000 cópias/mL (ou indetectável, dependendo da diretriz local), o parto vaginal pode ser considerado, mas a profilaxia com AZT IV ainda é recomendada se a CV for superior a 50 cópias/mL. A cesariana eletiva é indicada para gestantes com CV igual ou superior a 1000 cópias/mL ou em casos de CV desconhecida, para minimizar a exposição do feto ao sangue materno. A profilaxia com AZT IV (dose de ataque de 2 mg/Kg, seguida de manutenção de 1 mg/Kg/hora) é administrada até o clampeamento do cordão umbilical. Mesmo gestantes em uso regular de TARV e com boa adesão podem necessitar do AZT IV se a carga viral não estiver indetectável ou for superior a 50 cópias/mL. O acompanhamento rigoroso da carga viral ao longo da gestação é fundamental para guiar as decisões clínicas e garantir a melhor assistência à mãe e ao bebê.
A Zidovudina intravenosa é indicada para gestantes com HIV que apresentam carga viral acima de 50 cópias/mL ou desconhecida, mesmo que estejam em uso regular de terapia antirretroviral (TARV). O objetivo é reduzir a transmissão vertical do vírus.
O parto vaginal é considerado seguro para gestantes com HIV que mantêm uma carga viral plasmática abaixo de 1000 cópias/mL a partir da 34ª semana de gestação. Nesses casos, a cesariana eletiva não oferece benefício adicional na redução da transmissão vertical.
A dose recomendada de Zidovudina intravenosa é uma dose de ataque de 2 mg/Kg, seguida por uma dose de manutenção de 1 mg/Kg/hora, administrada continuamente até o clampeamento do cordão umbilical.
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