Manejo do Politrauma: Ácido Tranexâmico, Lactato e PAM no TCE

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025

Enunciado

Pacientes politraumatizados representam um grande problema global para a saúde pública, pois o manejo do sangramento pós-traumático e a coagulopatia continuam a ser desafiadores, sendo associados à falência multiorgânica potencialmente evitável e morte, se não forem diagnosticados e gerenciados de forma apropriada. Acerca da avaliação dos pacientes vítimas de traumas graves, considere as afirmativas a seguir.I. A avaliação do índice de choque (shock index) pode ser realizada através da razão da frequência cardíaca pela frequência respiratória.II. O ácido tranexâmico está indicado em pacientes com sangramento ativo ou risco de sangramento dentro de 3 horas do trauma.III. O lactato sanguíneo e o déficit de bases são testes que permitem estimar e monitorar a extensão do sangramento e da hipoperfusão tecidual.IV. Para pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico grave, é recomendado que seja mantida uma pressão arterial média superior a 80 mmHg. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Pérola Clínica

Politrauma grave: Ácido tranexâmico < 3h, monitorar lactato/déficit de base e manter PAM > 80 mmHg no TCE grave.

Resumo-Chave

No manejo do politrauma, o ácido tranexâmico é crucial se administrado em até 3 horas para reduzir a mortalidade por sangramento. O lactato e o déficit de bases são marcadores de hipoperfusão tecidual. No TCE grave, manter uma PAM > 80 mmHg é vital para garantir a pressão de perfusão cerebral adequada. O índice de choque é a FC dividida pela PAS.

Contexto Educacional

O manejo do paciente politraumatizado é um processo dinâmico e sistematizado, guiado por protocolos como o ATLS (Advanced Trauma Life Support), que visa identificar e tratar lesões com risco de vida de forma prioritária. A hemorragia e a coagulopatia induzida pelo trauma são as principais causas de morte evitável, exigindo uma abordagem rápida e eficaz. A avaliação inicial inclui a monitorização de parâmetros vitais e o uso de ferramentas para estimar a gravidade do choque. O índice de choque (Frequência Cardíaca / Pressão Arterial Sistólica) é um indicador precoce e simples de instabilidade hemodinâmica. Além disso, marcadores laboratoriais como o lactato sérico e o déficit de bases são fundamentais para quantificar a hipoperfusão tecidual e guiar a ressuscitação. A terapia moderna inclui a administração precoce de ácido tranexâmico (dentro de 3 horas do trauma) para estabilizar o coágulo e reduzir a mortalidade por sangramento. Em pacientes com traumatismo cranioencefálico (TCE) grave associado, o manejo da pressão arterial é crucial. A hipotensão é um insulto secundário devastador para o cérebro lesionado. Portanto, para garantir uma Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) adequada, é recomendado manter uma Pressão Arterial Média (PAM) mais elevada, geralmente acima de 80 mmHg, para contrapor a possível hipertensão intracraniana e otimizar o fluxo sanguíneo cerebral.

Perguntas Frequentes

Por que o ácido tranexâmico deve ser usado em até 3 horas no trauma?

Estudos como o CRASH-2 demonstraram que a administração de ácido tranexâmico, um antifibrinolítico, reduz a mortalidade por sangramento em pacientes com trauma. O benefício é tempo-dependente, sendo máximo na primeira hora e desaparecendo após 3 horas, quando pode até ser prejudicial.

Qual a importância do lactato e do déficit de bases no paciente traumatizado?

Ambos são marcadores sensíveis de hipoperfusão tecidual e metabolismo anaeróbico, refletindo o 'choque oculto'. A normalização seriada desses marcadores durante a ressuscitação é um indicador de que a perfusão tecidual está sendo restaurada e é um alvo terapêutico importante.

Por que a meta de Pressão Arterial Média (PAM) é mais alta no TCE grave?

No traumatismo cranioencefálico grave, a pressão intracraniana (PIC) pode estar elevada. A Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) é calculada como PAM - PIC. Para garantir uma PPC adequada (> 60-70 mmHg) e evitar isquemia cerebral secundária, é necessário manter uma PAM mais elevada, geralmente acima de 80 mmHg.

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