Paralisia Cerebral e Nutrição: Quando Indicar Gastrostomia?

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Menina, 8a, é trazida para puericultura sem queixas. Antecedentes pessoais: anóxia neonatal grave e convulsões, paralisia cerebral grau V pelo Gross Motor Function Classification System. Alimentação diária: consome regularmente 240ml de leite de vaca integral com achocolatado em mamadeira duas vezes ao dia, além de duas papas preparadas no liquidificador, com ingredientes semelhantes aos consumidos pela sua família. Nega dificuldades para engolir ou episódios de vômito. Exame físico: IMC=10Kg/m².A CONDUTA É:

Alternativas

Pérola Clínica

Paralisia cerebral GMFCS V + IMC < p3 → Avaliar e indicar gastrostomia para suporte nutricional seguro e eficaz.

Resumo-Chave

Em pacientes com paralisia cerebral grave (GMFCS IV e V), a via oral frequentemente é insuficiente para suprir as necessidades calóricas, mesmo sem queixas de disfagia. A gastrostomia é crucial para prevenir desnutrição, falha de crescimento e complicações respiratórias por microaspirações.

Contexto Educacional

A paralisia cerebral (PC) é a causa mais comum de incapacidade motora na infância, e pacientes com formas graves, como o nível V do Gross Motor Function Classification System (GMFCS), apresentam desafios nutricionais significativos. A desnutrição é altamente prevalente nesse grupo devido a uma combinação de fatores: dificuldade de ingestão oral por disfunção motora oral, aumento do gasto energético basal pela espasticidade e tônus muscular anormal, e refluxo gastroesofágico. A avaliação nutricional é um pilar no acompanhamento desses pacientes. O IMC, embora útil, deve ser interpretado com cautela devido a alterações na composição corporal. A suspeita de comprometimento nutricional deve surgir com base na curva de crescimento, tempo de alimentação prolongado (>30 min) e sinais de aspiração. Mesmo na ausência de queixas explícitas de disfagia, a deglutição pode ser ineficaz e insegura, levando a microaspirações silenciosas e pneumonias de repetição. O manejo visa garantir um aporte calórico-proteico adequado para o crescimento e desenvolvimento. Quando a via oral se mostra insuficiente ou insegura, a gastrostomia (GTT) é o procedimento de escolha para suporte nutricional de longo prazo. A GTT melhora o estado nutricional, reduz o tempo gasto com alimentação, diminui o estresse familiar e minimiza o risco de complicações pulmonares, impactando positivamente na qualidade de vida do paciente e de seus cuidadores.

Perguntas Frequentes

Quais sinais indicam a necessidade de gastrostomia em uma criança com paralisia cerebral?

Sinais incluem falha de crescimento (IMC ou peso/idade baixos), tempo de alimentação superior a 30-40 minutos, sinais de aspiração (tosse, engasgos, pneumonias de repetição) e estresse familiar significativo durante as refeições. Um GMFCS nível IV ou V é um forte preditor da necessidade.

Qual a conduta inicial ao avaliar uma criança com PC grave e baixo peso?

A conduta inicial envolve uma avaliação nutricional completa, incluindo antropometria e inquérito alimentar, e uma avaliação da deglutição (clínica e, se necessário, por videoendoscopia ou videofluoroscopia). A discussão sobre a gastrostomia deve ser iniciada precocemente com a família.

Quais as complicações da desnutrição crônica em pacientes com paralisia cerebral?

As complicações incluem atraso no desenvolvimento puberal, baixa estatura, maior suscetibilidade a infecções, dificuldade na cicatrização de feridas, osteopenia/osteoporose com risco aumentado de fraturas e comprometimento da função imunológica e respiratória.

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