Trauma Abdominal Fechado: Manejo e Complicações

UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 24 anos de idade, vítima de acidente automobilístico, deu entrada no pronto-socorro com queixa de dor abdominal. Apresenta-se com permeabilidade das vias aéreas, ventilação/respiração sem alterações significantes, frequência cardíaca de 105 bpm, PA 110 x 70 mmHg, mucosas levemente descoradas, Glasgow 15, pupilas isocóricas e sem déficit motor lateralizado. O exame físico do abdome evidencia a marca do cinto de segurança e dor à palpação profunda no andar superior. Submetido ao Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma (eFAST), que evidenciou a presença de líquido livre em espaços subfrênicos e espaço de Morrison. Encaminhado à tomografia computadorizada do abdome com a infusão de contraste venoso, que evidenciou uma lesão hepática grau II sem blush arterial; lesão esplênica grau II com discreto blush arterial; contusão do corpo pancreático sem aparentes sinais de laceração do pâncreas ou lesão ductal; sem sinais de lesão em vísceras ocas. Em relação às recomendações atuais para o manejo dessa situação, marque "V" para verdadeiro e "F" para falso. (  ) O paciente em questão, pode ser encaminhado à embolização arterial para o controle do sangramento esplênico e selecionado para o manejo não operatório do trauma abdominal fechado. (  ) As lesões traumáticas do pâncreas acompanhadas de lesões do ducto pancreático principal sem sinais de instabilidade hemodinâmica devem ser conduzidas prioritariamente por tratamento não operatório devido a sua elevada taxa de sucesso. (  ) Os pacientes com traumatismos esplênicos submetidos à esplenectomia total devem realizar a profilaxia (vacinação) para germes como pneumococos, meningococos, Haemophilus influenza. (  ) Em função do risco elevado de complicações infecciosas, o paciente em questão deve realizar um esquema de antibiótico presuntivo por 96 horas de cefazolina com metronidazol. Assinale a sequência CORRETA:

Alternativas

  1. A) F - V - F - F
  2. B) F - F - F - V
  3. C) V - F - V - V
  4. D) V - F - V – F

Pérola Clínica

Trauma esplênico com blush arterial em paciente estável → embolização arterial e manejo não operatório. Lesão ductal pancreática → cirurgia. Esplenectomia → vacinação encapsulados.

Resumo-Chave

O manejo do trauma abdominal fechado evoluiu para uma abordagem mais conservadora em pacientes hemodinamicamente estáveis. A presença de blush arterial em lesões de órgãos sólidos, como o baço, pode indicar a necessidade de embolização para controle do sangramento, enquanto lesões ductais pancreáticas geralmente exigem intervenção cirúrgica. A profilaxia vacinal é crucial após esplenectomia para prevenir sepse.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbidade e mortalidade, frequentemente associado a acidentes automobilísticos. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS, com o eFAST sendo uma ferramenta rápida e eficaz para detectar líquido livre na cavidade abdominal. A tomografia computadorizada com contraste é o padrão-ouro para detalhar as lesões de órgãos sólidos e guiar o manejo, que tem evoluído para uma abordagem não operatória em pacientes hemodinamicamente estáveis. O manejo não operatório (MNO) é a conduta preferencial para lesões de órgãos sólidos como fígado e baço em pacientes estáveis. A presença de blush arterial na TC, indicando sangramento ativo, pode ser tratada com sucesso por embolização arterial, minimizando a necessidade de cirurgia e preservando o órgão. No entanto, lesões pancreáticas com comprometimento do ducto principal, mesmo em pacientes estáveis, geralmente exigem intervenção cirúrgica devido ao alto risco de complicações como fístulas e pseudocistos. A antibioticoprofilaxia em trauma abdominal fechado é controversa e geralmente não é indicada para lesões de órgãos sólidos sem perfuração de vísceras ocas. Uma complicação grave da esplenectomia total é a sepse pós-esplenectomia (OPSI), devido à perda da função imunológica do baço. Para prevenir a OPSI, é fundamental a vacinação contra bactérias encapsuladas, como Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis e Haemophilus influenzae tipo b. A vacinação deve ser realizada idealmente antes da esplenectomia ou o mais precocemente possível no pós-operatório, acompanhada de educação do paciente sobre os riscos e a necessidade de procurar atendimento médico em caso de febre.

Perguntas Frequentes

Quando a embolização arterial é indicada no trauma esplênico?

A embolização arterial é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesões esplênicas de alto grau ou com evidência de sangramento ativo (blush arterial) na tomografia computadorizada, como parte do manejo não operatório para controlar o sangramento e preservar o órgão.

Qual a conduta para lesões traumáticas do pâncreas com lesão ductal principal?

Lesões traumáticas do pâncreas com lesão do ducto pancreático principal, mesmo em pacientes estáveis, geralmente requerem intervenção cirúrgica para reparo ou ressecção, devido ao alto risco de fístulas pancreáticas, pseudocistos e pancreatite grave com manejo não operatório.

Quais vacinas são recomendadas após esplenectomia total?

Após esplenectomia total, é crucial a profilaxia vacinal contra bactérias encapsuladas, incluindo pneumococos (vacina pneumocócica polissacarídica e conjugada), meningococos (vacina meningocócica conjugada) e Haemophilus influenzae tipo b (Hib), para prevenir a sepse pós-esplenectomia.

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