SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Uma criança de 5 anos foi trazida à UPA vítima de mordedura de cão, na região malar, há 1 hora. Ao ser admitida foi vista ferida com cerca de 3 cm de extensão na região malar esquerda, sem áreas necróticas ou sangramento ativo e de aspecto irregular com extensão de 3 cm. A ferida foi lavada com água e sabão em casa e o cão era da família, passível de observação e não apresentava comportamento anormal ou doença evidente no momento do acidente. O cartão de vacinas da criança está completo. Acerca do manejo desse paciente, pode-se afirmar que:
Mordedura de cão em face, cão observável, vacinação completa criança → limpeza rigorosa + observação cão.
A limpeza adequada da ferida com água e sabão é fundamental, e o uso de substâncias viricidas como PVPI é recomendado para reduzir o risco de infecção, especialmente por raiva, mesmo com cão observável. A sutura primária de feridas por mordedura na face é controversa e geralmente evitada devido ao risco de infecção, mas pode ser considerada em casos estéticos após limpeza exaustiva.
Mordeduras de cães são lesões comuns, especialmente em crianças, e representam um desafio clínico devido ao risco de infecção bacteriana e, mais gravemente, raiva. A epidemiologia mostra que a maioria das mordeduras ocorre por animais conhecidos e em membros da família. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações e é um tópico frequente em provas de residência. A fisiopatologia da infecção envolve a introdução de bactérias da flora oral do animal e, no caso da raiva, o vírus rábico. O diagnóstico e a avaliação da ferida devem considerar sua localização, profundidade e contaminação. A suspeita de raiva é alta em casos de animais desconhecidos, selvagens ou com comportamento alterado. O tratamento inclui limpeza mecânica rigorosa, antissepsia e avaliação da necessidade de profilaxia antitetânica, antirrábica e antibiótica. A decisão sobre a sutura deve ser individualizada, priorizando a prevenção de infecções. Residentes devem dominar esses princípios para garantir a segurança do paciente.
A conduta inicial envolve lavagem exaustiva da ferida com água e sabão por pelo menos 15 minutos, seguida de antissepsia com substância viricida como PVPI ou clorexidina, para reduzir a carga microbiana e o risco de infecção.
A profilaxia antirrábica (vacina e/ou soro) é indicada com base na avaliação do animal (desconhecido, selvagem, com sinais de raiva, não observável) e na gravidade da exposição (profundidade, localização da ferida, como face ou mãos).
A sutura primária de feridas por mordedura é geralmente evitada devido ao alto risco de infecção. Se for esteticamente necessária, como na face, deve ser feita após limpeza rigorosa e, idealmente, com profilaxia antibiótica.
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