PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2023
Paciente de 64 anos de idade é admitido na emergência com cefaleia de piora progressiva, cervicalgia e lombalgia há 2 dias. Nas últimas 24 horas, iniciou febre baixa e calafrios. Seu filho, presente durante a consulta, mencionou que ele parece mais letárgico e apresentou 2 episódios de vômitos. Ao exame, notou-se Brudzinski negativo, Kernig positivo, Líquor foi coletado: células nucleadas 320 mm³ (79% polimorfonucleares, 21% linfomononucleares), hemácias 103 mm³, glicose 39 mg/dL (glicemia capilar 150 mg/dL), proteína 101 mg/dL. Nesse caso, qual deverá ser a próxima conduta?
Meningite bacteriana: LCR com PMN ↑, glicose ↓, proteína ↑. Iniciar dexametasona + ATB empírico (Ceftriaxone).
O perfil do líquor com pleocitose polimorfonuclear, hipoglicorraquia e hiperproteinorraquia é altamente sugestivo de meningite bacteriana. A conduta inicial deve ser a antibioticoterapia empírica de amplo espectro, associada a corticosteroides para reduzir a inflamação e sequelas neurológicas, e investigação de complicações com imagem.
A meningite bacteriana é uma emergência médica grave que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar morbidade e mortalidade significativas. Caracteriza-se pela inflamação das leptomeninges e do espaço subaracnoide, sendo mais comum em extremos de idade e em imunocomprometidos. A suspeita clínica surge com a tríade clássica de febre, cefaleia e rigidez de nuca, embora nem sempre presente, especialmente em idosos ou crianças pequenas, que podem apresentar apenas letargia e vômitos. O diagnóstico é confirmado pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar. O perfil típico da meningite bacteriana inclui pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (relação glicose LCR/sérica < 0,4) e hiperproteinorraquia. É crucial não atrasar o tratamento enquanto se aguardam resultados de cultura, iniciando a terapia empírica baseada na idade e fatores de risco do paciente. A tomografia computadorizada de crânio deve ser realizada antes da punção lombar se houver sinais de hipertensão intracraniana ou déficits neurológicos focais. O tratamento empírico para adultos geralmente envolve ceftriaxone ou cefotaxima, com adição de vancomicina em áreas de alta resistência a penicilinas/cefalosporinas, e ampicilina para cobertura de Listeria monocytogenes em idosos (> 50 anos) ou imunocomprometidos. A dexametasona deve ser administrada antes ou com a primeira dose do antibiótico para reduzir a inflamação e melhorar o prognóstico neurológico. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo as sequelas neurológicas comuns em casos de atraso.
Na meningite bacteriana, o líquor tipicamente apresenta pleocitose com predomínio de polimorfonucleares, hipoglicorraquia (glicose no LCR < 40 mg/dL ou relação LCR/glicemia < 0,4) e hiperproteinorraquia (> 45 mg/dL).
A dexametasona é administrada antes ou concomitantemente à primeira dose do antibiótico para reduzir a inflamação no espaço subaracnoide, diminuindo o risco de sequelas neurológicas, especialmente em casos de infecção por Streptococcus pneumoniae.
A TC de crânio é indicada antes da punção lombar em pacientes com sinais de hipertensão intracraniana (papiledema, bradicardia, hipertensão), déficits neurológicos focais, convulsões de início recente ou estado mental alterado grave, para descartar lesões expansivas.
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