Risco Cirúrgico: Manejo de Medicações Pré-Operatórias

CSNSC - Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 68 anos é atendido em consulta de ""risco cirúrgico"" para realização de cirurgia de catarata. É portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes Mellitus e coronariopata, com história de infarto agudo do miocárdio há 3 anos com realização de angioplastia em artéria coronária descendente anterior. Faz uso de ácido acetilsalicílico (AAS) 100mg/dia, Atorvastatina 40mg/dia, Bisoprolol 5 mg/dia, Losartana 100mg/dia, Anlodipino 10 mg/dia e Metformina 2g/dia. Considerando essa situação, deve-se:

Alternativas

  1. A) Suspender o AAS sete dias antes do procedimento e manter os demais medicamentos.
  2. B) Manter todas medicações de uso contínuo até a data do procedimento.
  3. C) Suspender o AAS sete dias antes do procedimento e orientar a não fazer uso dos anti-hipertensivos (Losartana e Anlodipino e da Metformina, no dia da cirurgia.
  4. D) Suspender o AAS sete dias e a Metformina dois dias antes do procedimento.

Pérola Clínica

Cirurgia de catarata (baixo risco) → Manter AAS, betabloqueadores, estatinas e anti-hipertensivos.

Resumo-Chave

Em cirurgias de baixo risco, como a de catarata, a maioria das medicações de uso contínuo, especialmente as cardiovasculares (AAS, betabloqueadores, estatinas, anti-hipertensivos), deve ser mantida para evitar eventos adversos cardiovasculares e trombóticos. A suspensão de AAS pode aumentar o risco de trombose em pacientes coronariopatas.

Contexto Educacional

O manejo medicamentoso no período pré-operatório é crucial para otimizar o paciente e minimizar riscos. A avaliação de "risco cirúrgico" visa identificar comorbidades e ajustar terapias, especialmente em pacientes idosos com múltiplas doenças crônicas como hipertensão, diabetes e coronariopatia. A decisão de suspender ou manter medicações depende do tipo de cirurgia (risco cardíaco), do risco trombótico do paciente e do risco de sangramento do procedimento. Para cirurgias de baixo risco, como a de catarata, a maioria das medicações cardiovasculares deve ser mantida. Betabloqueadores e estatinas são importantes para a proteção cardiovascular. O ácido acetilsalicílico (AAS) em pacientes com doença coronariana estabelecida geralmente é mantido, pois o risco de eventos trombóticos supera o risco de sangramento em procedimentos de baixo risco. Anti-hipertensivos devem ser mantidos para evitar flutuações pressóricas. A metformina, embora geralmente mantida em cirurgias de baixo risco, pode ser suspensa 24-48 horas antes de procedimentos com risco de instabilidade hemodinâmica ou uso de contraste iodado devido ao risco de acidose láctica. A comunicação entre o cirurgião, anestesista e clínico é fundamental para um plano terapêutico seguro e eficaz, garantindo a continuidade do tratamento de doenças crônicas e a prevenção de complicações perioperatórias.

Perguntas Frequentes

Quais medicações cardiovasculares devem ser mantidas no pré-operatório de cirurgias de baixo risco?

Betabloqueadores, estatinas e a maioria dos anti-hipertensivos devem ser mantidos. O AAS geralmente é mantido em pacientes com alto risco cardiovascular submetidos a cirurgias de baixo risco.

Por que não se deve suspender o AAS em pacientes coronariopatas antes de cirurgia de catarata?

A suspensão do AAS pode aumentar o risco de eventos trombóticos, como infarto agudo do miocárdio ou AVC, em pacientes com doença coronariana, superando o benefício de redução de sangramento em cirurgias de baixo risco.

Quando a metformina deve ser suspensa antes de uma cirurgia?

A metformina deve ser suspensa 24-48 horas antes de cirurgias com risco de instabilidade hemodinâmica ou uso de contraste iodado, devido ao risco de acidose láctica. Para cirurgia de catarata, geralmente pode ser mantida.

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