Medicações Pré-Operatórias: O Que Suspender Antes da Cirurgia?

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 68 anos de idade, em pré-operatório para uma colecistectomia eletiva por vídeo e portador de diversas morbidades, faz uso de várias medicações: atenolol; bromoprida; pantoprazol; levotiroxina; AAS infantil; clopidogrel; clonazepam; e semaglutida. Nesse caso hipotético, considerando-se a cirurgia eletiva e que ele esteja compensado das doenças mencionadas no pré-operatório, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) nenhuma medicação deverá ser suspensa.
  2. B) uma medicação deverá ser suspensa.
  3. C) duas medicações deverão ser suspensas.
  4. D) três medicações deverão ser suspensas.
  5. E) quatro medicações deverão ser suspensas. 

Pérola Clínica

Cirurgia eletiva: AAS e Clopidogrel (antiagregantes) devem ser suspensos para ↓ risco de sangramento.

Resumo-Chave

Em cirurgias eletivas, a suspensão de medicações deve equilibrar o risco de sangramento com o risco de eventos trombóticos ou descompensação de doenças crônicas. Antiagregantes plaquetários como AAS e clopidogrel aumentam significativamente o risco de sangramento e, na maioria dos casos de cirurgia eletiva, devem ser suspensos por um período adequado antes do procedimento, conforme o risco do paciente e da cirurgia.

Contexto Educacional

O manejo de medicações no período pré-operatório é uma etapa crítica para garantir a segurança do paciente e o sucesso da cirurgia. A decisão de suspender ou manter um medicamento deve ser individualizada, considerando o tipo de cirurgia (eletiva ou de emergência), o risco de sangramento do procedimento, o risco trombótico do paciente e o risco de descompensação da doença de base caso a medicação seja suspensa. No caso de uma colecistectomia eletiva, que é um procedimento com risco de sangramento, a atenção se volta principalmente para os medicamentos que afetam a coagulação. Os antiagregantes plaquetários, como o ácido acetilsalicílico (AAS) e o clopidogrel, são os principais alvos de suspensão. O AAS inibe a ciclo-oxigenase plaquetária de forma irreversível, e o clopidogrel inibe o receptor P2Y12. Ambos aumentam o tempo de sangramento e, portanto, o risco de hemorragia cirúrgica. A suspensão do clopidogrel é geralmente recomendada por 5 a 7 dias, e do AAS por 7 dias, antes de cirurgias com risco de sangramento. Outras medicações, como betabloqueadores (atenolol), hormônios tireoidianos (levotiroxina), inibidores de bomba de prótons (pantoprazol) e benzodiazepínicos (clonazepam), geralmente devem ser mantidas para evitar a descompensação das condições crônicas do paciente. A semaglutida, um agonista do receptor GLP-1 para diabetes, pode ter seu uso ajustado ou suspenso no dia da cirurgia para evitar hipoglicemia ou náuseas, dependendo do protocolo institucional e da meia-vida do medicamento. A avaliação pré-operatória detalhada é essencial para um plano de manejo medicamentoso seguro e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais medicações devem ser suspensas antes de uma colecistectomia eletiva?

Em uma colecistectomia eletiva, as medicações que geralmente devem ser suspensas são os antiagregantes plaquetários, como o AAS (ácido acetilsalicílico) e o clopidogrel, devido ao risco aumentado de sangramento intra e pós-operatório. O tempo de suspensão varia, mas geralmente é de 7 a 10 dias para clopidogrel e 7 dias para AAS.

Por que o AAS e o clopidogrel precisam ser suspensos antes da cirurgia?

AAS e clopidogrel são antiagregantes plaquetários que inibem a função das plaquetas, essenciais para a hemostasia. Sua manutenção no pré-operatório aumenta significativamente o risco de sangramento excessivo durante e após a cirurgia, o que pode levar a complicações graves.

Quais medicações geralmente são mantidas no pré-operatório?

Medicações para controle de doenças crônicas como hipertensão (atenolol), hipotireoidismo (levotiroxina), refluxo (pantoprazol) e ansiedade (clonazepam) são geralmente mantidas no pré-operatório para evitar descompensação. Antidiabéticos como a semaglutida podem ter seu uso ajustado ou suspenso no dia da cirurgia, dependendo do protocolo e do risco de hipoglicemia.

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