LIEAG e Histerectomia: Qual a Conduta Correta a Seguir?

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente com 46 anos que apresenta sangramento uterino anormal, em decorrência de leiomiomatose uterina, foi indicada à histerectomia. Durante a execução dos exames pré-operatórios, o resultado de colpocitologia oncótica revelou LIEAG (lesão intraepitelial de alto grau). Submetida à colposcopia, detectou-se área com achados colposcópicos maiores. A biópsia dirigida para esse local revelou carcinoma in situ. Frente a essa situação, qual é a abordagem CORRETA?

Alternativas

  1. A) Histerectomia tipo Piver 3 (cirurgia de Wertheim-Meigs), pois é portadora de câncer de colo uterino;
  2. B) Histerectomia total abdominal, já que há lesão neoplásica maligna no colo e miomatose uterina;
  3. C) Traquelectomia radical com linfadenectomia pélvica por amostragem (linfonodo sentinela);
  4. D) Exérese de zona de transformação, com delimitação prévia através de teste de Schiller no intraoperatório.

Pérola Clínica

Achado de LIEAG/NIC 3 pré-histerectomia por outra causa → Exérese da Zona de Transformação (EZT) para excluir invasão.

Resumo-Chave

Antes de realizar uma histerectomia por causa benigna (miomatose), é mandatório investigar e tratar uma lesão precursora de alto grau (LIEAG/carcinoma in situ) no colo. A EZT (ou conização) serve tanto para diagnóstico (excluir microinvasão) quanto para tratamento da lesão.

Contexto Educacional

A Lesão Intraepitelial de Alto Grau (LIEAG) é um achado citológico no exame de Papanicolau que corresponde, na histologia, à Neoplasia Intraepitelial Cervical (NIC) graus 2 ou 3. O carcinoma in situ (CIS) é sinônimo de NIC 3. Essas são lesões precursoras do câncer de colo de útero e exigem investigação e tratamento. Quando uma paciente tem indicação de histerectomia por uma condição benigna, como a leiomiomatose, e apresenta concomitantemente uma LIEAG, a conduta não é prosseguir diretamente para a histerectomia simples. A biópsia colposcópica, embora diagnóstica, é apenas uma amostra. É imperativo excluir a presença de uma doença invasiva oculta, que alteraria completamente o plano cirúrgico para uma abordagem oncológica (histerectomia radical com linfadenectomia). Por isso, o procedimento correto é a Exérese da Zona de Transformação (EZT), também conhecida como conização. A EZT tem duplo propósito: diagnóstico, ao fornecer a peça completa para análise histopatológica e excluir invasão; e terapêutico, ao remover toda a lesão precursora. Somente após a confirmação de ausência de invasão no cone é que se pode prosseguir com a histerectomia simples planejada.

Perguntas Frequentes

O que são achados colposcópicos maiores?

Achados maiores na colposcopia sugerem lesões de alto grau (NIC 2/3) e incluem epitélio acetobranco denso e de aparecimento rápido, mosaico grosseiro, pontilhado grosseiro e vasos atípicos. Eles indicam áreas com maior probabilidade de neoplasia.

Por que não fazer a histerectomia direto se a biópsia mostrou carcinoma in situ?

Porque a biópsia representa apenas uma amostra da lesão. A peça da conização (EZT) é necessária para avaliar toda a zona de transformação e excluir a presença de carcinoma microinvasor ou invasor, o que mudaria radicalmente o estadiamento e o tratamento cirúrgico.

Qual a diferença entre LIEAG e carcinoma in situ?

LIEAG (Lesão Intraepitelial de Alto Grau) é um termo citológico (do Papanicolau). Histologicamente, corresponde a NIC 2 ou NIC 3. Carcinoma in situ (CIS) é sinônimo de Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 3 (NIC 3), a lesão precursora mais avançada antes da invasão da membrana basal.

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