CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025
Uma paciente com histórico de esquizofrenia é admitida para uma cirurgia de urgência devido a uma apendicite. No pré-operatório, apresenta sintomas de alucinações auditivas que aumentam a sua ansiedade. De acordo com o modelo integral em saúde mental, como a equipe deve proceder?
Urgência cirúrgica + Psicose → Estabilizar com antipsicótico e operar. Não adiar a urgência.
O modelo integral de saúde preconiza tratar a urgência física simultaneamente à estabilização psiquiátrica aguda, garantindo a segurança e o cuidado global do paciente.
O manejo de pacientes com transtornos mentais graves em cenários de urgência médica exige uma abordagem multidisciplinar. A esquizofrenia pode dificultar a coleta de anamnese e o exame físico, mas sintomas psicóticos ativos não devem ser barreira para o tratamento de condições agudas. A administração de antipsicóticos no pré-operatório visa não apenas o controle sintomático, mas também a segurança da equipe e a redução do estresse metabólico do paciente, alinhando-se aos princípios de beneficência e não-maleficência.
A prioridade é a preservação da vida. Em casos de urgência como apendicite, a cirurgia não pode ser adiada. A estratégia correta é a estabilização farmacológica imediata dos sintomas psicóticos (geralmente com antipsicóticos de ação rápida ou benzodiazepínicos, se indicado) para reduzir a ansiedade e o risco de agitação, procedendo-se então com o ato cirúrgico sob monitorização.
O modelo integral defende que o paciente deve ser visto como um todo, não separando a doença mental da condição física. Isso implica que a equipe cirúrgica e a psiquiatria devem trabalhar juntas desde o pré-operatório para oferecer um ambiente seguro, manejo medicamentoso adequado e suporte humanizado, evitando estigmas que retardem o tratamento necessário.
O anestesista deve estar ciente das medicações de uso crônico do paciente (como clozapina ou haloperidol) devido ao risco de interações, como prolongamento do intervalo QT ou alterações no limiar convulsivo. Além disso, a agitação psicótica no despertar anestésico deve ser prevenida com uma indução e manutenção anestésica cuidadosas.
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