Manejo de Insulina DM1: Conduta Pós-Hipoglicemia

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 22 anos, com diabetes melito tipo 1 desde os 5 anos, foi internada para tratamento de pielonefrite aguda. Relatou má adesão ao tratamento e uso irregular das insulinas. A dosagem de HbA1c, realizada há 2 meses, foi de 11%. Tinha-lhe sido prescritas insulina NPH (4 UI antes do café, 8 UI antes do almoço e 8 UI às 22 horas) e insulina lispro (6 UI antes do café, 8 UI antes do almoço e 8 UI antes da janta), além de correções antes das refeições conforme a glicemia capilar. Foi mantido o mesmo esquema durante a internação. Às 10 horas da manhã, a paciente apresentou glicemia capilar de 45 mg/dl, e, por estar com o sensório preservado, a hipoglicemia foi corrigida com 1 sachê de 15 g de glicose por via oral; antes do almoço, nova medida indicou 102 mg/dl. A enfermagem questionou a equipe assistente sobre que conduta adotar quanto à administração das insulinas antes do almoço. Qual das alternativas abaixo contempla a conduta correta?

Alternativas

  1. A) Não administrar as insulinas NPH e lispro antes do almoço.
  2. B) Não administrar a insulina NPH, mas administrar a lispro antes do almoço.
  3. C) Administrar a insulina NPH e não administrar a lispro antes do almoço.
  4. D) Administrar normalmente as insulinas NPH e lispro antes do almoço.

Pérola Clínica

Hipoglicemia corrigida com sensório preservado → manter esquema basal-bolus de insulina, reavaliar dose se recorrência.

Resumo-Chave

Após a correção de um episódio de hipoglicemia com sensório preservado, o esquema de insulina basal-bolus deve ser mantido para evitar hiperglicemia rebote e garantir o controle glicêmico adequado, especialmente em pacientes com DM1 e infecção. A dose só deve ser ajustada se houver hipoglicemias recorrentes ou persistentes que indiquem necessidade de redução.

Contexto Educacional

O manejo do Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) exige um controle glicêmico rigoroso, mas equilibrado, para evitar tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia. A insulinoterapia basal-bolus, que mimetiza a secreção fisiológica de insulina, é o pilar do tratamento, utilizando insulinas de ação prolongada (basal, como a NPH) e de ação rápida (bolus, como a lispro) antes das refeições. A hipoglicemia é uma complicação comum e potencialmente grave do tratamento com insulina. Em pacientes com DM1, a capacidade de resposta endógena à hipoglicemia é limitada. A correção imediata da hipoglicemia com carboidratos de ação rápida é essencial. No entanto, após a correção e com o sensório preservado, a manutenção do esquema de insulina é fundamental para evitar o efeito rebote de hiperglicemia e a descompensação metabólica, especialmente em contextos de estresse como infecções (pielonefrite). Para a prática clínica e provas de residência, é crucial entender que a suspensão da insulina em DM1, mesmo após hipoglicemia, é um erro grave que pode precipitar cetoacidose diabética. O ajuste das doses deve ser feito com cautela e apenas se houver um padrão de hipoglicemias recorrentes, sempre sob supervisão médica, visando otimizar o controle glicêmico sem comprometer a segurança do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de hipoglicemia em pacientes com DM1?

Os sinais de hipoglicemia podem ser adrenérgicos (tremores, sudorese, taquicardia, fome) ou neuroglicopênicos (confusão mental, irritabilidade, dificuldade de concentração e, em casos graves, convulsões e coma).

Qual a conduta inicial para hipoglicemia com sensório preservado?

A conduta inicial é administrar 15g de carboidrato de ação rápida (ex: 1 sachê de glicose, 150 mL de suco de fruta ou refrigerante não dietético) e reavaliar a glicemia capilar em 15 minutos. Se a glicemia ainda estiver baixa, repetir a dose.

Por que não suspender a insulina após correção da hipoglicemia em DM1?

Em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1, a suspensão da insulina pode levar rapidamente à hiperglicemia e cetoacidose diabética, pois o pâncreas não produz insulina endógena. A manutenção do esquema basal-bolus é crucial para o controle metabólico.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo