Insuficiência Cardíaca Descompensada: Prescrição Inicial

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 50 anos, hipertensa há 15 anos, há 2 meses com edema de membros inferiores e constipação. Refere cansaço progressivo e ortopneia. Após 3 consultas no pronto atendimento, foi encaminhada para internação hospitalar. Ao exame físico: normocorada, hidratada, frequência respiratória de 24 ipm, frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial: 160/80 mmHg. Precórdio: ritmo duplo regular, bulhas normofonéticas, sem sopros. Pulmonar: murmúrio vesicular diminuído bilateralmente com creptações até 2/3 médios. Abdome: fígado palpável a 4cm do rebordo costal direito, bordas rombas e dolorosas. Extremidades: presença de cacifo, edema de +++/4+ em membros inferiores. As medicações que devem constar na prescrição inicial de internação:

Alternativas

  1. A) Carvedilol e enalapril.
  2. B) Digoxina e dapaglifozina.
  3. C) Furosemida e enoxaparina.
  4. D) Espironolactona e hidroclorotiazida.

Pérola Clínica

IC descompensada com congestão e internação → Furosemida (diurético) + Enoxaparina (profilaxia TVP).

Resumo-Chave

A paciente apresenta sinais clássicos de insuficiência cardíaca descompensada com congestão sistêmica e pulmonar (edema, ortopneia, creptações, hepatomegalia). A furosemida é essencial para aliviar a congestão. A enoxaparina é indicada para profilaxia de tromboembolismo venoso em pacientes internados com fatores de risco, como insuficiência cardíaca e imobilidade.

Contexto Educacional

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa caracterizada por sintomas e sinais causados por uma anormalidade estrutural ou funcional cardíaca que leva à redução do débito cardíaco e/ou pressões de enchimento elevadas. A descompensação aguda da IC é uma causa comum de internação hospitalar, manifestando-se frequentemente com sinais de congestão pulmonar e sistêmica, como dispneia, ortopneia, edema de membros inferiores e hepatomegalia. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais para melhorar o prognóstico. A fisiopatologia da IC descompensada envolve a ativação de sistemas neuro-hormonais, retenção de sódio e água, e aumento das pressões de enchimento cardíacas. O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e sinais, e pode ser complementado por exames como BNP/NT-proBNP, ECG e ecocardiograma. A suspeita deve surgir em pacientes com histórico de IC ou fatores de risco (hipertensão, DAC) que apresentam piora progressiva da dispneia, edema ou fadiga. O tratamento inicial da IC descompensada visa aliviar os sintomas e estabilizar o paciente. Diuréticos de alça, como a furosemida, são a base do tratamento para reduzir a congestão. Além disso, a profilaxia de tromboembolismo venoso com heparina de baixo peso molecular (ex: enoxaparina) é fundamental em pacientes internados com IC, devido ao risco aumentado de TVP e TEP associado à imobilidade e à própria doença. Outras medicações, como vasodilatadores e inotrópicos, podem ser usadas conforme a necessidade clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de congestão em pacientes com insuficiência cardíaca?

Os principais sinais de congestão incluem edema de membros inferiores, ortopneia, dispneia paroxística noturna, creptações pulmonares, turgência jugular e hepatomegalia dolorosa. Estes indicam sobrecarga de volume e pressão de enchimento elevadas.

Por que a furosemida é a medicação mais indicada para o quadro de congestão?

A furosemida é um diurético de alça potente que promove rápida diurese e alívio da congestão pulmonar e sistêmica, sendo a escolha primária para o manejo agudo da sobrecarga de volume na insuficiência cardíaca descompensada.

Quando a profilaxia de TVP com enoxaparina é indicada em pacientes com IC?

A profilaxia de TVP com enoxaparina é indicada em pacientes internados com insuficiência cardíaca descompensada que apresentam fatores de risco para tromboembolismo venoso, como imobilidade prolongada, idade avançada e a própria condição cardíaca.

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